Saber das GirasGira de Pretas e Pretos Velhos

Não viemos apenas para passar pela vida. Viemos para nos transformar através dela

Por César Mandeli · · Leitura de 3 minutos

Saravá, queridos irmãos e irmãs de fé.

Nesta última gira de Pretos e Pretas Velhas do mês de Agosto, mês de Obaluaê, que possamos refletir a respeito das transformações, dos ciclos e da evolução moral e espiritual na Umbanda.

Falemos então a respeito da divina vibração Yorimá, essa que paira sobre nossos queridos vovôs e vovós e também nos traz uma das expressões mais profundas da sabedoria espiritual: compreender que evoluir não é apenas adquirir conhecimento, mas permitir que aquilo que aprendemos transforme quem somos.

Os Pretos e Pretas Velhas representam essa sabedoria construída através da experiência, da paciência, da humildade e dos ciclos da existência. Eles nos ensinam que o espírito não evolui por aquilo que acumula, mas por aquilo que consegue transformar dentro de si.

Yorimá nos inspira a uma evolução que é, antes de tudo, moral. Mas é importante dizer que na Umbanda o conceito de pecado não faz parte da nossa religião, não há espaço para punição em uma Força Divina tão misericordiosa na qual cremos, por isso entendemos que a evolução acontece a partir do aprendizado. É aprender a dominar o orgulho, transformar a raiva em compreensão, substituir o julgamento pela misericórdia e reconhecer que cada pessoa está vivendo o seu próprio processo.

A existência é quase como uma escola, cada encarnação é um ano no qual teremos momentos felizes, momentos tristes, momentos de superação e alguns tropeços pelo caminho, se não alcançarmos aquilo que nos for necessário não tem problema, tentaremos novamente assim que a oportunidade nos for dada, e para isso é necessário humildade.

Talvez uma das maiores lições dos nossos queridos vovôs e vovós seja justamente essa: não existe sabedoria verdadeira sem humildade.

O Preto Velho não precisa demonstrar poder ou provar que sabe. Sua força está na serenidade. Sua autoridade nasce da experiência, e sua experiência se transforma em serviço.

Por isso, quando nos colocamos diante de um Preto Velho, não devemos buscar somente respostas para aquilo que nos aflige. Devemos também ter coragem para olhar para dentro e perguntar: o que essa dificuldade está tentando me ensinar? O que preciso transformar em mim? Em que aspecto da minha vida ainda preciso evoluir?

Porque evolução espiritual não significa deixar de enfrentar dificuldades. Significa aprender a atravessá-las de uma maneira diferente.

Existem ciclos que precisam terminar para que outros possam começar. Existem dores que, quando compreendidas, deixam de ser apenas sofrimento e passam a ser aprendizado. E existem feridas da alma que só encontram verdadeira cura quando transformamos a maneira como nos relacionamos com aquilo que nos machuca.

Cura, portanto, também é evolução.

É transformar ressentimento em perdão, ignorância em consciência, orgulho em humildade e sofrimento em sabedoria.

Esses amados trabalhadores do arquétipo do ancião e da anciã nos ensinam que cada espírito possui seu tempo e seu caminho. Mas caminhar devagar não significa permanecer parado.

Evoluir é caminhar.

É olhar para quem fomos ontem e buscar ser um pouco melhores hoje. É reconhecer nossos erros sem permanecer presos à culpa e compreender nossas limitações sem utilizá-las como desculpa para não mudar.

Que nesta gira possamos buscar nos Pretos e Pretas Velhas não apenas a cura para aquilo que dói, mas a sabedoria para compreender aquilo que a vida está tentando nos ensinar.

Que esses espíritos de luz nos ensinem a ter paciência para nossos processos, humildade diante dos nossos erros, coragem para mudar e consciência para compreender que toda evolução verdadeira começa dentro de nós.

Não viemos apenas para passar pela vida. Viemos para nos transformar através dela.

Saravá a Casa de Pai João

Adorei as Almas!

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