Ecos de AruandaNº 08

Obaluaiê, o senhor da terra e orixá da cura

Uma homenagem a Obaluaiê, o senhor da terra e orixá da cura, sincretizado com São Roque: seus mitos, o deburù, a “flor do velho”, e o luto compreendido como calunga.

Leitura de 30 minutos

Ilustração de Obaluaiê coberto por vestes de palha-da-costa dourada, em movimento de dança, erguendo o xaxará com uma das mãos

Editorial

O momento pandêmico em que nos encontramos não poderia ser melhor para falarmos de Obaluaiê, o senhor da terra e orixá da cura. Esta edição de agosto de Ecos de Aruanda rende homenagem a essa sabedoria ancestral sincretizada na Umbanda com o santo católico São Roque e, com suas festividades comemoradas no dia 16 de agosto.

Para conhecer as características misteriosas do Orixá das doenças e da cura, respeitosamente chamado “O Velho” é necessário conhecer algumas narrativas mitológicas, oriundas do continente africano ou da cultura afro-brasileira próprias dessa divindade. As lendas dão as notícias necessárias para as interpretações e conhecimento do mito. Ressalte-se que o sentido de mito, aqui utilizado, é o de narrativa primordial, desprezando-se as interpretações da mencionada palavra que remetem a cargas semânticas de mentira.

Médico dos orixás e dos seres humanos é reconhecidamente o guardião da saúde dos pobres e daqueles que nele possuem fé. Porém, seus mistérios por baixo de suas roupas de palha-da-costa, trazem também a reflexão sobre as reencarnações e a passagem dessa vida para o plano espiritual.

Preparem o deburù, a “flor do velho”, pois ela se compõe como elemento unificador da existência da energia sagrada e curativa de Obaluaiê.

Iremos falar do luto e da sensação de vazio, compreendendo a calunga como domínios de Obaluaiê. Falar de cura através do mais poderoso dos sentidos com a ajuda dos óleos essenciais. E aprender um pouco da filosofia Bantu com os ensinamentos trazidos por Vovó Cambinda na roda de ancestralidade.

Ecos de Aruanda convida seus leitores e leitoras a compartilhar mais uma vez esses conhecimentos a luz da Umbanda. Agradecemos por todas as críticas e sugestões recebidas para a construção desse informativo.

Boa leitura!

Jardim Sagrado

Canela-de-velho

Juntamente com a arnica, essa é uma erva que não pode faltar em firmeza de Obaluaiê. A Canela-de-velho (Miconia albicans) é um arbusto muito comum no cerrado e na vegetação do litoral brasileiro podendo ser encontrada em toda a América Latina.

Conhecida por suas propriedades curativas tanto na fabricação de pomadas e unguentos, como em banhos, infusões e chás. Essa erva medicinal traz em suas propriedades a energia telúrica de Obaluaiê.

É considerada uma verdadeira arma contra incômodos de doenças das articulações, como artrose e artrite. Isso porque as folhas da planta teriam fotoquímicos anti-inflamatórios e analgésicos. A canela-de-velho também é rica em flavonoides, compostos ricos em antioxidantes que, por sua vez, combatem os radicais livres, moléculas que, em excesso, favorecem o envelhecimento precoce e até mesmo o aparecimento de doenças. Suas folhas carregam propriedades anti-inflamatórias que reduzem a inflamação entre os ossos e estimulam a regeneração da cartilagem. É comum em farmácias fitoterápicas pomadas anti-inflamatórias produzidas com a erva. A pomada de canela-de-velho tem uso tópico, ou seja, precisa ser aplicada diretamente no local da dor.

O chá de canela-de-velho também possui propriedades que podem ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue. Ela é indicada para pessoas que têm diabetes e pode prevenir problemas cardiovasculares, circulatórios e até mesmo oculares causados pelo excesso de açúcar no corpo. Outro benefício muito conhecido da planta é que ela funciona como um ótimo digestivo para o organismo. Com apenas duas ou três folhas de canela-de-velho, é possível prevenir azias, reduzir sensações de inchaço, desconfortos no estômago, e auxiliar a digestão do organismo como um todo. Além de contribuir para o funcionamento do sistema digestivo, o chá de canela-de-velho também consegue prevenir a esteatose hepática (acúmulo de gorduras no fígado).

Lembrando que seu uso em firmezas, banhos não tem contraindicação, porém plantas medicinais só devem ser usadas em pomadas, infusões e chás quando indicadas por um profissional de saúde capacitado em fitoterapia, o consumo de chás não deve substituir a quantidade diária de água a ser ingerida.

Ramo de canela-de-velho com folhas verdes, largas e com nervuras marcadas, e pequenos botões em hastes avermelhadas

Saudação

Em narrativas africanas a respeito de Obaluaiê afirma-se a existência deste orixá desde tempos anteriores à idade do ferro. Reza a tradição que Obaluaiê rejeita a utilização de utensílios de metal em alguns de seus rituais no continente mãe. A antiguidade dos cultos de Obaluaiê e Nanã Buruquê, frequentemente confundidos em certas partes da África, é indicada por um detalhe do ritual dos sacrifícios de animais que lhes são feitos. Esse ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro, indicando que essas duas divindades faziam parte de uma civilização anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum. Omolu e Nanã são orixás velhos. Ela é reconhecida como a vovó dos orixás, uma das esposas de Oxalá! Para ele existe um ponto cantado em língua portuguesa com a seguinte letra: “Se encontrar um velho aí Tome a bênção a ele. Como é o nome dele? É Obaluaiê!” Por conseguinte, comprovada ou não a anterioridade da existência de Omolu à chegada de Odudua no mundo ioruba, a ancianidade de Obaluaiê ou Omolu fica garantida. Afinal, antiguidade da existência do mito pode coincidir ou não com a ancianidade das personagens da narrativa. Um mito pode ter surgido há milhares de anos e seu protagonista ser uma criança.

Como os personagens dos mitos não envelhecem, o mito preserva sua antiguidade e estabiliza as idades dos personagens envolvidos. Omolu é associado à ancianidade acolhedora, ao pai que cuida dos doentes, dos desprotegidos e em Cuba é chamado Babaluaê, pai, senhor da terra, visto que Babá em iorubá significa pai. Como falamos em edições anteriores de Ecos de Aruanda, o conjunto de mitos e lendas do panteão africano que narra as histórias envolvendo canções, danças, rituais e outros ensinamentos é chamado Itan. Para o povo Iorubá é considerado como verdade sobre a criação do mundo, possuindo grande respeito por ser repassado oralmente como ensinamentos por meio dos mais velhos. São essas lendas que dão significado aos rituais e elementos trabalhados nos terreiros, pois a compreensão das forças da natureza e dos fundamentos ancestrais é o cerne das religiões de matriz africana.

Utilizamos Obaluaiê ou Omolu, pois genericamente na Umbanda pode-se chamar a mesma entidade com os dois nomes. Obaluaiê (o jovem) tem por tradução livre “Rei, Senhor da Terra”, pois é uma contração de Obá = Rei, Olwó = Senhor, e Aiye = Terra. Já Omolu (o velho) tem por tradução livre “Filho do Senhor”.

Em sua mão traz o Xaxará (pequeno cetro) evidenciando este orixá como sendo o “Rei da Terra”, em forma de pequeno feixe de piaçava ou de palha-da-costa, preso com trançados e enfeitado com búzios abertos e miçangas.

Para Pierre Verger as duas designações são títulos de Xapanã. Porém em seus mistérios não se deve pronunciar o nome primordial de Obaluaiê/Omolu. Xapanã é um nome perigoso e, portanto, chamá-lo assim atrairia as doenças, são formas de cumprir alguns de seus tabus. Os dois orixás são um só e podem ser dois ao mesmo tempo, no imaginário umbandista.

Obaluaiê/Omolu, em suas multiplicidades, mantém-se na Umbanda senhor das doenças e das curas. Através do estudo comparativo entre narrativas afro-brasileiras e africanas sobre Omolu e Obaluaiê evidenciaram-se características importantes dos citados orixás para entendê-los em seus potenciais de cura e de encantamentos. Para um leigo, é preciso explicar que assim como há Santos Católicos com complementos em seus nomes, tornando-os múltiplos, há também diversas qualidades de um mesmo orixá. Explica-se as diferenças e semelhanças da comparação. Importante entender a vibração que essa força se apresenta na Umbanda.

Caboclos de Obaluaiê se apresentam na linha de Yorimá, a mesma dos pretos e pretas velhas, embora com um arquétipo bem diferenciado dos velhos escravizados. São os velhos pajés ameríndios dos rituais de cura indígenas e da tradição da jurema. São também os velhos Xamãs e líderes espirituais que tem a capacidade de manter contato com o universo sobrenatural e com as forças da natureza nos povos primitivos. Apresentam-se arqueados, aplicando passes, bate-folhas e defumações, seguidos por passos cadenciados e sons que remetem aos rituais nas aldeias.

Conta-se que na primeira metade do século XX o povo negro não confiava nos tratamentos dados a eles nos hospitais. Em casa teriam condições mais dignas, humanas, distantes das indigentes degradações às quais eram submetidos nos hospitais. No leito do lar, teriam melhor tratamento e o amparo do velho Omolu/Obaluaiê, inversamente às casas de saúde, antes territórios, majoritariamente, do racismo. Imprescindível lembrar que chamar um orixá ou um caboclo de “meu velho” é uma das maneiras respeitosas de se dirigir à entidade, reconhecendo a superioridade do sagrado.

Segundo Pierre Verger, “Mesmo em sua qualidade de guerreiro, Obaluaiê/Omolu se apresenta com o poder sobre as doenças e sobre as curas. A varíola com suas marcas indeléveis no corpo, não é a única enfermidade que Obaluaiê controla, ele é o senhor das moléstias e das curas em geral. Conta o mito, que ao saber da ida de Obaluaiê em direção à terra dos mahis, no Daomé, para aplacar sua ira e seu exército, o povo preparou oferendas ao guerreiro e com sua chegada prostrou-se diante daquele que poderia espalhar a doença como método beligerante. Em reconhecimento às homenagens, Obaluaiê, poupou o povo e tornou-se rei do lugar, transformando-o em território próspero e feliz.”

Em diversas narrativas mitológicas, a ira de Obaluaiê deve-se à desobediência dos humanos e à forma pouco respeitosa como foi tratado, ora por seres humanos, ora por orixás. O fato de ter sido preterido, diversas vezes, também o aproxima dos mais pobres, sustentando o título de médico dos pobres, além de médico dos orixás. Em um dos seus mitos narrados pelo sociólogo Reginaldo Prandi, “Olodumaré, o ser supremo, resolveu dividir seus poderes entre seus filhos. A reunião entre os herdeiros aconteceu em um dia que Xapanã/Obaluaiê/Omolu não estava presente, então sobrara para ele o que ninguém queria: as pestes e as doenças. Contudo, a exclusão acabou conferindo a Obaluaiê poderes importantíssimos. Certo dia uma doença muito contagiosa espalhou-se pelo mundo; era a varíola. Nenhum orixá pôde ajudar o povo. Já não havia espaço nos cemitérios para tantos mortos. Após aceitarem a recomendação de Orunmilá para fazerem sacrifícios a Xapanã, a epidemia foi extinta”. Obaluaiê tem o domínio as pestes e doenças. É nesse sentido que não se pede a cura a Obaluaiê, pois ele não as tem, e sim para que leve a doença embora consigo.

Uma das características mais peculiares desse orixá é ter o corpo todo coberto por uma roupa feita de palha-da-costa (Ráfia). Seu Itan conta que Obaluaiê foi salvo por Iemanjá quando sua mãe, Nanã Buruquê, ao vê-lo doente, coberto de chagas, purulento, abandonou-o numa gruta perto da praia. Iemanjá recolheu Obaluaiê e o lavou com a água do mar. O sal da água secou suas feridas. Obaluaiê tornou-se um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes, as marcas feias da varíola. Iemanjá confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia. E com ela ele escondia as marcas de suas doenças. Andava pelas aldeias e por onde passava deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença. É preciso deixar marcado que há diferenças entre o que seria valorativo para a cultura Iorubá, vestir-se com suas palhas da cabeça aos pés, além de adequar-se à sua realidade física, deve ser entendido como riqueza, uma outra riqueza. Então, nem sempre os valores atribuídos a diversas matérias primas na interpretação capitalista, coincidem com os valores sagrados do Axé! Outrossim, há valores incalculáveis nas roupas de palha da costa, importadas do continente africano, que cobrem Obaluaiê da cabeça aos pés. Contudo, por debaixo da simplicidade das roupas de ráfia, Obaluaiê ostenta colares e mais colares de pérolas, belíssimos colares dados por Iemanjá, é Obaluaiê quem cuida das pérolas do mar. É assim chamado de Jeholu, o “Senhor das Pérolas”. Por isso as pérolas pertencem a Obaluaiê.

Outro elemento ritualístico de Obaluaiê muito importante é a pipoca. O deburù, ou a flor do velho.

Como para Obaluaiê tudo é ao contrário, primeiro faz-se a oferenda para depois ter a cura, a dádiva. Primeiro, o banho de pipoca, que abre os caminhos para a cura. Para além das preferências do orixá é, com certeza, a mais representativa, aparecendo, seja de forma ritualística ou meramente estética. Reginaldo Prandi narra que “Antes da existência das pipoqueiras elétricas, a flor do velho era aberta, digo preparada em uma panela com areia branca. Obrigatoriamente sem gorduras de quaisquer espécies, a flor do velho abria com a temperatura correta em meio à límpida areia branca, a correta fertilidade para o germinar. O cuidado seguinte consistia em deixar a pipoca adequadamente livre da areia, para o consumo do orixá e também das pessoas. A perícia da cozinheira era comprovada com o uso adequado de uma grande peneira feita de palha, onde as pipocas eram despejadas. Por mãos ágeis, o deburù era jogado para cima, levando consigo parte da areia, que se perdia, e outra parte era dispensada por entre os poros da peneira. Através da correta repetição deste ritual, a flor do velho era aparada, ficava limpa e, ainda hoje, deve ser servida sem sal. A pipoqueira elétrica facilita o trabalho e não retira o Axé, a energia sagrada, embora haja quem prefira preservar o jeito tradicional de torrar a flor do velho”. Até mesmo nas manifestações do sincretismo religioso, a devoção do catolicismo popular a São Roque inclui a pipoca como forma de homenagem e purificação.

Obaluaiê é múltiplo, diverso, uno, protagoniza a linha tênue entre a vida e a morte por ele controladas. Obaluaiê também é o Senhor da Terra e das camadas de seu interior, para aonde vamos todos nós. Por isso a regência dos cemitérios, daí a ligação que tem com os mortos, pois ele é quem vai cuidar do corpo sem vida, e guiar o espírito que deixou aquele corpo. Sua força e poder de controlar a passagem dos seres de um plano para outro é o que o torna temido entre os seres humanos. Obaluaiê é conhecido como “Senhor das Passagens”, já que a sua energia é responsável por orientar o espírito a uma nova vida.

No fundo, a vida brota de suas entranhas, pois tudo que morre germina. Essa ideia de restauração parece remeter aos próprios ciclos que a natureza impõe, o que coloca as epidemias num outro nível de entendimento. Obaluaiê nos ensina o valor da vida, o valor do cuidado com a saúde, o valor do ser humano. Sua saudação é Atotô Obaluaiê! – que significa: Silêncio e Respeito! O Rei está entre nós!

Os mistérios de Obaluaiê no domínio das doenças e pragas fez na Umbanda que fosse sincretizado com São Roque, o santo católico curador que tem seu dia, exatamente hoje 16 de agosto.

Conta a Igreja que ao chegar à Toscana, na Itália, encontrou um número alto de mortalidade causado pela peste. Diante da situação, desejou ser útil e pediu ao administrador do hospital que pudesse ficar perto dos doentes. Logo que Roque começou a conviver com os enfermos, a epidemia da doença acabou na região. E o mesmo aconteceu por todas as cidades que ele passava. Contam os católicos que ele curava apenas fazendo o sinal da cruz nos indivíduos. Nas religiões de matriz africana, contam os mais velhos que nos momentos de grandes epidemias, Obaluaiê abandonava tudo e saía pelo mundo curando os doentes. Por isso também o chamam de “o médico dos pobres”. Um orixá que nos ensina, afinal, que ter saúde é a maior riqueza. As misturas e as diversidades de representações e interpretações dos personagens mitológicos. Obaluaiê e São Roque guardam aspectos divergentes e semelhantes. Entre as semelhanças narradas, pertinentes aos rituais de cura e purificação, a existência da pipoca garante um fio condutor, que unifica a fé.

Imagem de São Roque em escultura policromada: homem barbado de chapéu e auréola, manto verde, cajado com cabaça, mostrando a ferida na perna, com um cão aos seus pés
Desenho de Obaluaiê coberto da cabeça aos pés por longas palhas amarelas, segurando o xaxará

Elementos Correspondentes

Cor
Preto e Branco ou Roxo
Elemento
Terra
Dia da Semana
segunda-feira
Domínios da vida
O fechamento dos ciclos, as doenças e a morte.
Domínios da natureza
À terra, os cemitérios
Pedras
Ônix, turmalina negra, quartzo branco.
Ervas
Canela-de-velho, manjericão roxo, erva-de-passarinho, arnica.
Flores
Crisântemo branco, margarida, palma branca.
Elemento ritualístico
Xaxará (pequeno cetro)

Roda de Ancestralidade

Vovó Cambinda

Só há existência na coletividade.

A tradição oral faz o uso da memória auditiva e visual que no princípio das civilizações eram os únicos recursos de que dispunham as culturas orais para o armazenamento e a transmissão do conhecimento às futuras gerações. Importante entender estes momentos vivenciados nas rodas de ancestralidade. Nossas rodas acontecem mensalmente, sido criadas a pedido e orientação de Vovó Cambinda, Preta Velha de origem Bantu, onde a tradição oral não é apenas fonte principal de comunicação cultural. Descreve, ensina e discorre sobre a vida, assim como relata o Pe. Raul Altuna em seu livro - Cultura Tradicional Bantu – “O povo bantu se alicerça na oralidade, sendo por meio das palavras que os vínculos vão sendo acordados e transmitidos ao longo das gerações: a oralidade faz parte da maneira de ser do Negro-africano. O escrito só ganha importância a partir da confiabilidade dos dizeres, afinal, a escrita é a fotografia do saber, mas não é o saber.” Assim, a cada roda registramos esses conhecimentos trazidos pela ancestralidade. Ressaltando que os textos aqui publicados foram readequados a linguagem escrita, respeitando ao máximo as falas transmitidas pelo processo mediúnico da psicofonia.

“Que Deus abençoe a todos os meus filhos que encontro hoje. Inicio minha conversa com os filhos e filhas dando um “puxão de orelhas” e lembrando-lhes, que a vida não é um espetáculo para ser assistido. E sim, para ser protagonizado, contudo, para ser encenado por vocês mesmos. Não se esquecendo nunca daqueles que preparam o palco que vocês se apresentam. Estes são as bisavós, avós e pais dos meus filhos. Pois, isso é honrar a ancestralidade. É responsabilidade de cada um receber esse conhecimento, e deixar para aqueles que vierem depois de vocês um mundo melhor. Quanto vocês estão honrando aquilo que receberam? Quantos vocês estão curando com o que receberam para aqueles que estão chegando?

Esta, talvez seja a grande importância da ancestralidade meus filhos. Vejam vocês que de onde essa velha veio, da África Centro-Atlântica, somente entre os negros bantus existiam mais de quinhentos povos, cada um com sua história de resistência diferenciada, porém com suas crenças, comidas e costumes similares. Todos com sua cultura e religiosidade própria, porém sendo repassadas em igualdade entre todos os povos bantus pela unicidade de sua língua. Talvez meus filhos, os bantus sejam a cultura onde a religiosidade seja mais impregnada nas questões sociais que qualquer parte do mundo. É por isso que hoje quero trazer lições dessa minha ancestralidade.

Esse final da palavra Bantu (NTU) significa para nossa cultura, tudo que existe ou mesmo, tudo que nos é dado a conhecer à existência. Bantu é a união dos povos para o conhecimento. Para meu povo na África, “Muntu” é a pessoa, e isso significa filhos, que a pessoa é a união do corpo, da mente, e de sua cultura. Olhem quão é importante o que forma o ser. Não é somente um corpo físico, um corpo mental, também sua cultura é tão importante quanto o resto. O ser humano completo é formado por essas três partes.

Sua cultura é transmitida pela raiz filosófica Ubuntu, que diz que só há existência na coletividade. Uma ética ancestral que foca no relacionamento das pessoas umas com as outras. É isso que faz essa velha existir e trabalhar pela coletividade. É o que uniu todos os mais de quinhentos povos falado por essa velha. Quando se fala em filosofia de vida, Ubuntu é o que une o conhecimento ancestral. É aquilo que traz para o coletivo algo que deve ser ensinado em uma sociedade tão doente a qual os filhos pertencem hoje.

Desenho em preto e cinza de quatro braços que se seguram pelos pulsos, formando um quadrado

É uma possível cura desta sociedade. Essa filosofia traz a cura para aqueles que ainda são egoístas, que só pensam em si. Que ainda apontam o dedo quando existe uma falha, esquecendo que a responsabilidade de um é a responsabilidade de todos. Para essa filosofia, todos de uma casa são responsáveis uns pelos outros, assim como em uma vila, sendo a união dos povos responsabilidade de todos.

Ubuntu meus filhos, também é a filosofia da Umbanda, e se meus filhos não a praticam estão desperdiçando esse conhecimento trazido por seus ancestrais bantus. O princípio da coletividade precisa ser repassado a todos que estão a sua volta, e aos que virão depois de você. Pois, foi assim que nossos ancestrais nos ensinaram.

A terra de onde vim meus filhos, passou por muitas guerras. Houve um tempo em que foram dizimados quase todos os homens guerreiros dos clãs existentes. Somente as mulheres estavam ali mais presentes. Época esta onde Ubuntu foi muito importante. Onde o papel que os homens exerciam passou a ser assumido pelas mulheres, não só cuidando da educação de seus filhos, mas também na tarefa árdua do sustento. A vila onde essa velha residia, em meio a todas as dificuldades ainda enfrentavam os mercadores de almas que capturavam os negros para a escravidão. Assim, as mesmas mulheres que educavam seus filhos tornaram-se guerreiras na defesa de seus povos. Essas sabendo que seriam atacadas precisavam da ajuda de todas as mulheres, a união de todas as aldeias. Porém, as mulheres que ali resistiam não conseguiam abandonar seus postos para avisar do perigo ou pedir ajuda as outras localidades. Então, em minha aldeia existia uma velha cega que ali morava. Esta disse a todas que era sua responsabilidade avisar aos outros anciãos para mandarem guerreiros para combater esse mal.

Se fosse aqui nesta sociedade ninguém contaria com aquela velha cega. Todas as mulheres reuniram-se naquela noite envolta da velha cega, e cantaram. Não a canção da despedida, mas a canção da guerra, pois a mais forte guerreira partiria para o combate. Essa é a filosofia Ubuntu, onde o destino de um é compartilhado por todos. A anciã então pediu que a levassem até a canoa e deixassem seguir rio abaixo. Apesar de cega, pediu para lhe colocarem uma venda nos olhos, mesmo sem enxergar, ela conhecia cada curva do rio, por senti-las muito mais na embarcação do que aqueles que enxergavam. Era tão experiente a velha, que muitas vezes colocava três ou quatro meninas na canoa e ao chegar a um determinado ponto do rio pedia que todas fizessem silêncio, e com uma vara longa tocava o fundo do rio, e sentia pelo tato onde os cardumes estavam. Aquelas que ali enxergavam, nunca viam os peixes debaixo da água. A velha mesmo cega pescava mais que qualquer uma daquelas meninas. Dava uma lição a todas. Cada um tem o seu valor, cada um desenvolve sua potencialidade. Infelizmente no meio do caminho os homens viram a velha na canoa, porém não a interpelaram, pois, achavam se tratar apenas de uma velha cega abandonada a própria sorte e destinada a morrer nas corredeiras. Ao amanhecer estava ela em outras aldeias avisando aos anciãos do perigo que ali rondava. E destas guerras que vivenciei foi aquela velha quem salvou todas as mulheres da aldeia.

Ubuntu filhos, a ancestralidade nos traz estas histórias para aprendermos a viver na coletividade, a ter empatia. Nesta sociedade a qual meus filhos vivem, nós aprendemos a valorizar as potencialidades ou aquilo que acreditamos ser uma inferioridade ou defeito das pessoas? Cantaríamos envolta daquela anciã a canção da guerra ou da despedida? Filhos de umbanda tem obrigação com os saberes ancestrais, estes são os saberes que curam não só vocês filhos, mas toda uma sociedade”.

Mucuiu NZambi! (Que Deus abençoe)

Umbanda tem Fundamento

A importância dos rituais fúnebres

Desde o nascimento até o seu último instante sobre à Terra o ser humano está imerso em muitos ritos ao qual o antropólogo francês, Arnold Van Gennep chamou “ritos de passagem”. Dizia ele que “as mudanças mais significativas pelas quais passamos na vida são o nascimento, a entrada na vida adulta, o casamento e a morte”. Nas religiões esses ritos de passagem são marcados pelos sacramentos. Sacralizar significa atribuir caráter sagrado a algo ou a alguém e, todas as religiões conhecidas são ricas em rituais, em geral, ligados aos seus fundamentos e sacramentos.

Umbanda é uma religião ritualística. Essa característica encontra-se em sua essência e, procurar praticá-la sem rituais é alijá-la de suas tradições, de seu simbolismo e de sua beleza. Os sacramentos na Umbanda são cerimônias simples, porém imersas em simbolismo. Cada sacramento tem seu ritual próprio que pode variar conforme a orientação de cada terreiro.

O nascimento de uma criança é uma dádiva sendo comemorado em todos os sentidos, porém o falecimento de alguém é algo que ainda é um tabu, que gera dúvidas e medo, ainda um assunto difícil de ser tratado envolta do luto, mesmo para nós umbandista que acreditamos na existência da vida após a morte. Nesse sentido os rituais funerais umbandistas acontecem não somente para a preparação do ser para essa passagem ao plano espiritual, com também para o acolhimento de seus entes na vivência e compreensão do luto.

Para a Umbanda Obaluaiê é o responsável pela morte, afinal rege a terra e tudo o que nela nasce e um dia tem seu fim. Entretanto, os saberes do orixá Obaluaiê também podem ser relacionados à morte dos ciclos e o fim de uma história para o começo de outra, portanto suas energias podem ser utilizadas dando início a uma nova vida. Por isso o chamamos de “O senhor das passagens”. Mediador entre os mundos material e espiritual, ele é conhecido como Senhor dos Espíritos e é responsável pela passagem dos seres humanos para o mundo dos mortos. Conhece a tristeza e as dores do luto, mas é a prova de que, com compreensão sobre os planos de existência, tudo pode ser superado e podemos seguir.

Guardião do cemitério é Exú, então ao chegar no portão principal, pelo lado de fora faça uma saudação a Exú, pois ele é o guardião da porteira principal. Após saudá-lo, peça licença (AGÔ) a Obaluaiê, pois ali é também território dessa vibração. Mesmo que você não seja umbandista, ali é um campo santo, procure respeitar as crenças de cada um nos seus rituais de despedida. O luto é o processo emocional de vivenciar a ausência e o vazio causados por uma perda. O vazio da ausência é uma das dores mais intensas que o ser humano pode sentir. Viver o luto, ainda que seja muito dolorido, é um processo essencial para que a pessoa possa se reconstruir e se reorganizar, diante da quebra inevitável de um vínculo. Esse sentimento para o povo Bantu é chamado pelo termo “Calunga”, que quer dizer “vazio” ou “espaço oco”.

Esta palavra era utilizada quando algum parente morria e, um espaço oco nascia no peito, assim como o luto aparece. Com o passar do tempo, calunga começou a designar o cemitério, pois, antes estes povos africanos não tinham palavra para tal. Assim, o grande espaço de vazio e solidão era a calunga pequena. No momento em que as famílias viam que os seus entes queridos estavam sendo levados pelos “traficantes de almas” em seus navios negreiros pelo mar, eles se desesperavam assim como se vê um familiar encontrando a morte. Com isto, este grande cemitério marinho começou a ser chamado calunga grande e as embarcações de tumbeiros.

Para nós umbandistas a calunga é um lugar de respeito e reverência ao senhor das passagens Obaluaiê. O momento do funeral e despedida é cercado de simbolismos, pois ali estamos entregando aquele espírito aos guias no plano espiritual, após ter cumprido sua missão reencarnado na terra. O funeral é conduzido pelo sacerdote do terreiro e sofre alterações conforme a condição do falecido, se é iniciado na umbanda ou não.

Mas a morte não é vista apenas como uma etapa da experiência humana. Ela também causa desequilíbrio. São os ritos de passagem que garantem o restabelecimento da normalidade e harmonia, motivo pelo qual precisam ser seguidos.

Caso não seja um umbandista a cerimônia segue os padrões de uma despedida e conforto para os familiares e amigos do falecido, podendo o celebrante esclarecer aos presentes a visão de que a vida não termina após a morte e que esse afastamento é temporário, pois existe a possibilidade do reencontro no plano espiritual.

Para os umbandistas falecidos existe ritualística própria, desde a preparação do corpo com ervas, do encaminhamento da alma para o plano espiritual com preces e elevação do espírito na preparação com os guias espirituais de proteção daquele que faleceu para o plano físico, mas que seguirá sua jornada no plano espiritual. É comum enterrar ou cremar o médium com sua roupa branca de trabalho e suas guias de proteção.

A chave para entender o luto é perceber que ele difere para cada pessoa. A vida é um ciclo e cada uma das suas etapas deve ser compreendida. E saber encarar a morte talvez seja uma das mais complexas. Para quem fica, entender como lidar com a morte é sinônimo de tristeza e superação. Precisamos saber que assim como todos os sentimentos inerentes ao ser humano, o luto também deve ser vivido, sentido e compreendido, para podermos restabelecer nosso equilíbrio emocional interno.

Toda perda envolve desamparo. Implica na insegurança de seguir vivendo uma nova realidade, sem o familiar. Tem a ver também com a percepção da limitação da própria vida, o que gera ansiedade e medo. Neste momento o acolhimento na umbanda e a renovação da fé nos ajuda na superação da dor. No processo de aceitação a realidade de que o nosso familiar se foi fisicamente, e o reconhecimento que esta nova realidade é a permanente. Os ritos de passagem geram o reencontro consigo mesmo, reforçando o elo ancestral.

Fotografia em preto e branco de um cemitério antigo com cruzes e lápides sobre a grama, sob a neblina

Sala de Cura

Aromaterapia

Talvez o mais menosprezado dos sentidos seja o olfato, porém é o mais poderoso que temos. Desde quando bebês, os seres humanos já conseguem reconhecer a mãe pelo cheiro logo nas primeiras semanas de vida. E isso pode se dar porque cada pessoa tem um aroma diferente, como se fosse uma impressão digital. Um simples perfume pode provocar uma reação emocional espontânea antes mesmo do nosso cérebro processar a fragrância captada.

O olfato desperta memórias muito mais intensas e viscerais do que outros sentidos, como a audição, o toque e a visão. Isso acontece porque o córtex olfativo tem uma ligação direta com o hipocampo, onde são processadas as memórias e emoções. Quando sentimos um cheiro, a informação passa pelas narinas sendo processada no sistema límbico. Nosso cérebro armazena inúmeras lembranças. Quando ativado por um estímulo externo, o aroma, o cérebro desencadeia uma reação neurológica na memória, associando tal cheiro a fatos importantes da nossa vida. Por isso um aroma não representa apenas um cheiro bom. Ele chega ao nosso cérebro sem filtro, ativando diversas sensações.

A aromaterapia é uma técnica natural que utiliza o aroma e as partículas liberadas por diferentes óleos essenciais para estimular diferentes partes do cérebro, promovendo o bem-estar físico e emocional. O campo das terapias holísticas reconhece a importância da conexão entre mente e corpo. Platão escreveu: “A cura da parte não deveria ser tentada sem a alma, e para que a cabeça e o corpo sejam saudáveis deve-se começar pela cura da mente”. Os óleos essenciais afetam tão fortemente a mente e as emoções quanto afetam o corpo físico. O olfato pode influenciar áreas do cérebro inacessíveis ao controle mental, bem como as emoções e as reações hormonais.

Os óleos essenciais atuam sobre o estado de ânimo quase instantaneamente, elevam rapidamente a frequência vibracional, ampliam a conexão espiritual e fortalecem as defesas do corpo.

Como utilizar os óleos essenciais

A principal e mais benéfica forma de utilizar os óleos essenciais é a inalação, no entanto, também podem ser usados de outras formas diferentes. O ideal é que sempre se utilizem óleos essenciais biológicos certificados, para evitar inalar pesticidas e outros químicos que podem acabar intoxicando o organismo.

Inalação: Para fazer as inalações corretamente deve-se respirar o óleo diretamente do frasco ou colocar até 3 gotas na palma da mão e esfregar a palma das mãos uma na outra até que aqueça o óleo, e libere melhor o aroma, inspirando profundamente e depois segurando o ar por 2 a 3 segundos, antes de expirar. Deve-se iniciar com inalações leves e depois ir aumentando o número de inalações e a intensidade, como indicado:

  • Inalações curtas: 3 a 7 respirações seguidas, várias vezes ao dia;
  • Inalações médias: 10 a 15 respirações seguidas, várias vezes ao dia;
  • Inalações longas: 10 a 15 minutos de respirações seguidas, 2 a 3 vezes ao dia.

Aromatização: Neste caso, adicionam-se 2 ou 3 gotas, do óleo escolhido, no interior de um aparelho ultrassónico com água que cria uma nuvem de fumaça que libera o aroma por todo o cômodo. Uma solução mais econômica ao uso do aromatizador consiste em colocar as gotas numa xícara com água fervente, por exemplo, pois à medida que a água vai evaporando, o aroma é liberado para o ar.

Evaporização: Consiste em aplicar algumas gotas em bolas de algodão, compressas ou num pano limpo, permitindo que o óleo vá evaporando e liberando o seu aroma. Esta é uma ótima forma de regular a intensidade do aroma, pois quando mais perto se estiver do pano, mais intenso será o cheiro. É ótima para harmonizar ambientes e torná-los mais calmos.

Vaporização: Esta técnica além de liberar o aroma diretamente para o sistema respiratório, permite a inalação de vapor de água que hidrata e relaxa as vias respiratórias. Deve-se colocar água fervente numa bacia e depois adicionar algumas gotas do óleo na água. Por fim, deve-se respirar a fumaça liberada e, se possível, cobrindo a cabeça com uma toalha para concentrar o vapor de água.

Massagem: Essa é a forma perfeita para aplicar os óleos essenciais diretamente na pele, de forma a tratar dores musculares, infecções, problemas de pele ou dores articulares. Para isso, basta misturar algumas gotas do óleo essencial pretendido num óleo vegetal, como o óleo de arroz, de sésamo ou coco, por exemplo. Fiquem atentos com aqueles que contém substâncias fotossensibilizantes (que causam queimaduras ao entrar em contato com raios solares). Óleos essenciais à base de laranja, limão, tangerina e gengibre, por exemplo, podem provocar danos na pele se após a aplicação, você sair andando ao ar livre.

Banhos: Misturam os benefícios da vaporização, pois permitem a inalação do vapor de água e do aroma, e os benefícios da massagem, uma vez que permitem o contato da pele com o óleo. Para fazer um banho de aromaterapia deve-se encher a banheira com um pouco de água morna e depois adicionar gotas do óleo até obter o aroma pretendido.

Os principais óleos essenciais

Frascos de vidro com rolha contendo óleos essenciais, cercados de flores secas de calêndula, camomila, pétalas de rosa e resina

Alecrim

Propriedades
Analgésico, antisséptico, alivia dores musculares, descongestionante, estimulante
Usos
Fadiga, cãibras, artrite, enxaqueca, ativa a memória, estresse, depressão
Cuidados
Evite se tiver pressão arterial alta ou histórico de epilepsia; não aplique sobre peles feridas.

Bergamota

Propriedades
Analgésico, bactericida, alivia cãibras, desodorizante, antidepressivo
Usos
Eczema, depressão, ansiedade, acne, mau hálito, resfriados, bronquite, repelente de insetos
Cuidados
Não use na pele exposta ao sol; pode irritar peles sensíveis

Camomila

Propriedades
Analgésico, antidepressivo, anti-inflamatório, antisséptico, sedativo
Usos
Problemas de pele, estresse, artrite, bursite, bolhas, feridas, menopausa, TPM
Cuidados
Evite no primeiro trimestre de gravidez

Canela

Propriedades
Queimar mais gordura, para melhorar a ação da insulina no corpo
Usos
Aumentar o metabolismo, tonturas, irritabilidade, falta de concentração, cólicas menstruais
Cuidados
Não deve ser usado por grávidas, pois estimula a contração do útero

Cravo

Propriedades
Analgésico, especialmente para problemas orais
Usos
Dor de dente, problemas nas gengivas
Cuidados
Evite durante a gravidez.

Erva-cidreira (Melissa)

Propriedades
Antiviral; antifúngico, alivia espasmos musculares, sedativo
Usos
Herpes, depressão, estresse, pé de atleta
Cuidados
Evite marcas baratas podem vir misturadas com óleos de qualidade inferior.

Eucalipto

Propriedades
Analgésico, descongestionante, expectorante, antiviral, bactericida, antifúngico
Usos
Asma, tosse, bronquite, artrite, dor de cabeça, ferimentos, febre, repelente de insetos
Cuidados
Dilua antes de aplicar sobre a pele; evite se você tiver epilepsia ou pressão arterial alta

Gengibre

Propriedades
Antisséptico, expele gases digestivos, analgésico, anti-inflamatório
Usos
Congestão, tosse, resfriado, dor de cabeça, febre, artrite, náusea
Cuidados
Pode irritar peles sensíveis.

Gerânio

Propriedades
Analgésico, anti-inflamatório, antisséptico, antidepressivo, desodorizante, repelente de insetos
Usos
Menopausa, problemas menstruais, mamas doloridas, estresse, TPM, ansiedade
Cuidados
Evite no início da gravidez; o uso excessivo pode causar insônia.

Hortelã-pimenta

Propriedades
Antifúngico, adstringente, expele gases digestivos, alivia dores de estômago, descongestionante.
Usos
Dor de cabeça, febre, resfriados, sinusite, náusea, micose, mau hálito, letargia, depressão.
Cuidados
Pode irritar a pele; não aplique sobre peles feridas ou rachadas

Laranja-amarga

Propriedades
Moderador de apetite, combater o excesso de fome associado a instabilidade emocional.
Usos
pode ser inalado ao longo do dia para diminuir as crises de fome, mas também antes das refeições, para evitar a ingestão exagerada de alimentos.

Lavanda (Alfazema)

Propriedades
Antisséptico, antidepressivo, antiviral, sedativo, alivia espasmos musculares, adstringente
Usos
Problemas de pele, artrite, dor, gota, estresse, ansiedade, insônia
Cuidados
Evite se você tiver pressão arterial excessivamente baixa.

Limão

Propriedades
Antisséptico, adstringente, bactericida, antifúngico, repelente de insetos, antiviral
Usos
Acne, furúnculos, esfoliante, pele oleosa, febre, TPM, juntas doloridas, fadiga depressiva
Cuidados
Não exponha a pele tratada ao sol; pode irritar peles sensíveis.

Manjericão

Propriedades
Antisséptico, expele gases digestivos, acalma os nervos, alivia os sintomas da TPM
Usos
Dor de cabeça, bronquite, resfriado, tosse, aplicações cosméticas
Cuidados
Evite durante a gravidez.

Melaleuca (Tea tree)

Propriedades
Antibiótico, bactericida, antiviral, descongestionante
Usos
Cortes, picadas de mosquito, úlceras bucais, herpes, catapora, acne, pé de atleta, micoses, caspa
Cuidados
Pode causar irritação em peles sensíveis.

Mirra

Propriedades
Anti-inflamatório, antifúngico, germicida, adstringente, expectorante
Usos
Ferimentos, pé de atleta, úlceras bucais, dor de garganta, problemas nas gengivas, laringite
Cuidados
Evite durante a gravidez.

Sálvia esclareia

Propriedades
Antidepressivo, desodorizante, alivia cãibras
Usos
alivia sintomas de TPM e de menopausa, depressão, estresse, enxaqueca, fadiga
Cuidados
Não confundir com sálvia comum (Salvia officinalis); o uso excessivo pode causar dor de cabeça.

Tomilho

Propriedades
Bactericida, analgésico
Usos
Artrite, problemas de pele, resfriados, infecções nos seios paranasais
Cuidados
Evite os óleos essenciais de tomilho avermelhados. Sua coloração deve ser amarela pálida

Toranja (Grapefruit)

Propriedades
Antidepressivo, antisséptico, adstringente
Usos
Acne, pele oleosa, rigidez muscular, dor de cabeça, estresse, fadiga
Cuidados
Não exponha a pele tratada ao sol.

Ylang-Ylang

Propriedades
Antisséptico, antidepressivo, sedativo
Usos
Ansiedade, estresse, acne, insônia, depressão, TPM
Cuidados
Evite o uso sobre pele ferida ou sensível

Salve o Ponto

Obaluaiê
Compositores: Gilberto Martins, Serena Assumpção

Refrão:
Senhor da terra
Das chagas do amor
Na pele as palhas
Que amenizam a dor

Abraço-te pra pedir
Sua bênção sua luz
E nesse caminho são
Omolú me conduz

Kaviongo santas almas do mar
Pai Omolú quem chegou pra dançar
Atotô, Obaluaiê!
Kaviongo santas almas do Axé
Pai Omolú quem chegou pra benzer
Atotô, Obaluaiê!

(bis)

Oração

Senhor das minhas chagas e de minhas curas
Senhor que abraça a vida a terra
Orai por mim e por minha alma
Abençoe a mim e a minha vida
Senhor dos mortos e da vida
Senhor dos sonhos e dos destinos
Demanda o tempo sobre meus amigos
Revela a cura de nossas feridas
Senhor dos senhores ancestrais
Senhor dos senhores das lágrimas
Acalmai os que choram, os sofrem
Os que adoecem, os que imploram
Senhor da minha vida, da minha esperança
Senhor que sai da terra e tudo alcança
Tenha piedade de mim
Tenha piedade de nós
Senhor do espelho que não vê
Senhor do oculto e do saber
Senhor dos animais e do amanhecer
Nos conceda a cura para viver

Atotô Obaluaiê

Na Estante

Obaluaê Atotô

Título
OBALUAÊ ATOTÔ — Coleção Lendas africanas
Autora
Edsoleda Santos
Editora
Solisluna Design
Corrente
Matriz africana
Capa do livro “Obaluaê – Atotô!”, de Edsoleda Santos, com ilustração em aquarela do capuz de palha dourada de Obaluaê

A lenda de Obaluaê, pesquisada pelo etnólogo Pierre Verger na África, narra a chegada desse orixá e o desenvolvimento de seu culto no território Mahi no Daomé. Foi a lenda escolhida para inspirar a criação deste livro pela artista Edsoleda Santos, uma homenagem ao “Velho”. Orixá de culto particular, cercado de mistérios e dogmas específicos, exigiu da artista uma profunda dedicação e apuro no seu trabalho iconográfico. Em suas pesquisas de campo, buscou orientação de uma sacerdotisa, a senhora Maria Célia Reis, Mãe Branca de Omolú, Yalorixá do terreiro Ìlé Àsé Taoyá Lonin, que há mais de cinquenta anos zela com rigor, orgulho e um profundo respeito pelos preceitos que regem esse orixá. Como resultado, surge um trabalho impecável na sua técnica, suntuoso na construção plástica e sofisticado no trato da aquarela e suas transparências. Cada linha, cada forma, cada elemento utilizado como representação da lenda foram cuidadosamente observados com o firme propósito de manter os mistérios e segredos que cercam esse orixá. Aprendemos nesta história que debaixo de suas palhas está o segredo da sua luz; da vida e da morte; do bem e do mal.

Expediente

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Créditos

Orientação Espiritual
Pai João de Aruanda
Direção do Templo / Pesquisa e Revisão
José Adilson Dantas
Pesquisa
Dilene Nunes
Jornalista Responsável / Projeto Gráfico
Gleison Cardozo - DRT DF-8266

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