Ecos de AruandaNº 10

Oxum, rainha das águas doces

Oxum, senhora das águas doces, do amor e do equilíbrio emocional; seu sincretismo com Nossa Senhora, a água como fonte de vida e a ressonância vibratória com o passado.

Leitura de 31 minutos

Pintura de Oxum como mulher negra de turbante e vestido brancos, envolta por um manto de flores amarelas sobre fundo azul

Editorial

Segundo a tradição Iorubá, os orixás são ancestrais africanos divinizados que representam manifestações das forças da natureza e valores humanos, como a justiça e o amor. Oxum é a rainha da água doce, dona dos rios e cachoeiras, considerada a senhora da beleza, da fertilidade, e da sensibilidade. É a senhora das águas da vida, já que a substância é essencial para a perpetuação dos seres vivos no planeta.

Ecos de Aruanda te convida a mergulhar neste universo de águas doces de Mamãe Oxum. A sensibilidade, o domínio das emoções, a beleza e a fertilidade são características aqui exploradas dessa Yabá que tem o dia 12 de outubro como comemoração.

Em nossa sala de cura iremos falar sobre uma síndrome muito comum, porém com grande dificuldade de ser identificada. Quanto o seu passado influencia em seus sentimentos no presente? Sabemos que os problemas que enfrentamos, às vezes é a própria ajuda, a resposta que a vida nos dá as nossas necessidades reeducativas.

Pai Benedito se apresenta pela primeira vez na Roda de Ancestralidade e traz luz aos ensinamentos do Mestre Jesus em parábola tão difundida.

Tem ponto, reza, e dica de livro dedicados a Yalodê Oxum. Agradecemos por todas as críticas e sugestões recebidas para a construção desse informativo.

Boa leitura!

Jardim Sagrado

Camomila

A camomila (Matricária chamomilla) é muito utilizada na medicina tradicional em todo o mundo. Como propriedade mais conhecida dessa planta, destaca-se sua ação calmante. Contudo, na Umbanda esta erva de Oxum tem propriedades que atuam diretamente no corpo Astral dos indivíduos, onde estão os registros dos sentimentos, dos afetos, das relações amorosas, familiares, e com o plano espiritual. O Corpo Astral tem ainda a função da sensibilidade, dor ou prazer, registro das emoções sob vontade, desejos, vícios, sentimentos, paixões, que nele são impressos pela força do psiquismo.

Ela apresenta compostos importantes que estão distribuídos de maneira diferente em cada parte. Suas pequenas flores de cor branca e amarela, principal parte utilizada da erva, apresentam altos níveis de substâncias, como os flavonoides, cumarinas e o óleo essencial alfa-bisabolol, que podem ser usadas no tratamento de vários problemas de saúde. Essa planta é bastante conhecida por sua propriedade antiespasmódica, anti-inflamatória, carminativa, ansiolítica, cicatrizante, antibacteriana, calmante e analgésica. Dessa forma, é frequentemente usada para tratamento de feridas estomacais, doenças inflamatórias do trato gastrointestinal, cólicas gastrointestinais, febre, gripe, dor de dente e ouvido, insônia, dores de cabeça, queimaduras, indigestão, terçol, irritações nos olhos, constipação, diarreia, dermatite de contato, eczema, mucosite, entre vários outros problemas.

Além dessas propriedades medicinais as flores são utilizadas nos trabalhos e nas firmezas de Oxum, em banhos e infusões para o equilíbrio emocional, e seu óleo essencial como aromatizante potente para harmonizar as energias do chakra cardíaco.

Como o mal do século são os distúrbios de ansiedade generalizada e depressão, seu chá (infusão) é perfeito para o relaxamento antes de dormir, estimulando o sono e funcionando como ansiolítico e sedativo leve devido à presença do flavonoide apigenina.

Apesar de a camomila ser considerada uma planta segura, o consumo de todas as plantas medicinais deve ser feito com cautela. Crianças menores de 1 ano não devem consumir o chá para que não haja o desenvolvimento de botulismo infantil. Em banhos não recomendamos a pessoas com sensibilidade alérgica na pele. Seja como erva medicinal, ou elemento ritualístico de Oxum, a camomila não poderia faltar em nosso Jardim Sagrado.

Campo de flores de camomila, com pétalas brancas e miolo amarelo

Saudação

A irradiação do amor divino é uma onda que nasce em Deus e alcança tudo e todos como concepção divina das coisas. Ela é uma onda de magnetismo dual, que ora diluí as agregações, ora renova os meios e os sentimentos. Oxum é a agregação do amor, das concepções e das agregações universais concebendo tudo e todos. Oxum é o Orixá que personifica o feminino, a ela se atribui o útero e a feminilidade. Orixá da fertilidade, que ganha o título de ialodê na nação iorubá, ou seja, “A Grande Mãe”, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade.

A vibração Oxum para a Umbanda irradia em ondas ao coração, que vão ligando as substâncias, os elementos, as essências, os sentimentos e unindo os seres afins entre si, pelo elo do amor. Oxum rege sobre a concepção da vida, a agregação e a diluição do emocional apassionado que desequilibra as uniões. Esta é a energia apaziguadora, delicada, meiga, sensível, protetora e amável de Oxum.

Essa sensibilidade pode ser percebida na incorporação de seus médiuns, que muito comum verterem lágrimas durante o trabalho. Pequenas cachoeiras que brotam dos olhos, da alma. Como cantado em seu ponto:

Eu vi Mamãe Oxum chorando,
Foi uma lágrima que eu fui Apará. (2x)
Ora iê iê, oh minha Mãe Oxum,
Oh deixa a nossa Umbanda melhorar. (2x)
Eu vi Mamãe Oxum na cachoeira
Sentada na beira do rio. (2x)
Colhendo lírios, lírios eh, colhendo lírios, lírios ah.
Colhendo lírios pra enfeitar o seu congá. (2x)

Na África é cultuada como rainha da nação Ijexá e seu nome vem do rio Oxum, localizado no sudoeste da Nigéria. O Festival de Oxum é realizado anualmente na cidade de Oxobô (Osogbo), na Nigéria. O bosque de Osùn em Osogbo, onde se encontra o Templo em sua homenagem, é patrimônio mundial da Unesco desde 2005. Além disso, ela é a rainha de todos os rios e exerce seu poder sobre a água doce, sem a qual a vida na terra seria impossível. Desse modo, “Oxum é senhora dos regatos, e das fontes de água clara, deusa do dengo e da formosura, vaidosa e coquete. Seu ritmo chamado Ijexá, região da África banhada pelo rio Oxum, é lento, voluptuoso e sensual.” fala Carlos Araújo em seu livro - ABC dos Orixás.

Em suas lendas (Itãs) e histórias trazidas com a diáspora africana, Oxum era a filha predileta de Oxalá e de Iemanjá, teve três casamentos. Foi esposa de Oxóssi, de Ogum e, posteriormente, de Xangô. Chamada no Brasil por senhora do ouro e da riqueza, na África foi senhora do Cobre, pois esse era o metal mais valioso. Uns atribuem a vaidade, os ciúmes e o apego a riqueza a essa Orixá, assim como na concepção personificada a todos os Orixás na África, com as qualidades e defeitos muito próximos do ser humano. Em suas lendas, a menstruação, a maternidade, a fertilidade, enfim, tudo que se relaciona ao universo feminino ganha destaque e é valorizado. No Jogo dos búzios, é ela quem formula as perguntas, respondidas por Exú. Oxum desde África é Orixá do amor, favorece a riqueza espiritual e material, além de estimular sentimentos como amor, fraternidade e união.

Orixá da maternidade, do ventre, do empoderamento feminino, nos conta Pierre Verger em conhecido Itã em seu livro - Orixás, deuses iorubas na África e novo mundo.

“Que desde o início do mundo os Orixás masculinos decidiam tudo, e excluíam as mulheres. Como Oxum não se conformava com essa atitude, deixou as mulheres estéreis aqui na terra. Com o passar dos anos os Orixás começaram a ficar preocupados, Ogum não teria mais homens para guerrear e os outros perceberam tantos problemas no Àiyé (Terra). Foram ao Òrún (Morada dos Deuses) consultar Olorum, que os aconselhou a convidar Oxum e todas as outras Yabás para participarem das reuniões e decisões. Assim fizeram, e as mulheres voltaram a gerar filhos”. Oxum dava a primeira lição de igualdade de gêneros, o feminino complementar ao masculino, forma a dualidade de onde brota e viceja a síntese da criação.

Oxum representa o sagrado feminino através do arquétipo da mulher elegante e amorosa, mas também inteligente, determinada, persistente, desinibida e senhora da fertilidade. Na canção O Canto de Oxum do Poeta Vinícius de Moraes e Toquinho, o verso diz: “Oxum era a rainha, na mão direita tinha o seu espelho, onde vivia a se mirar”. Não por um narcisismo isso acontecia, o Abebé, leque que em uma das faces era espelhado não era, na verdade, um instrumento da vaidade, contudo um instrumento para o autoconhecimento. O olhar para dentro de si, buscando o que de mais puro e sagrado ali existe.

A vibração Oxum nos sensibiliza para a diplomacia e a capacidade de escuta do outro. Para as questões emocionais e seu equilíbrio. Ou seja, reconhecer a influência das emoções e, em resposta, exercer o autocontrole sobre elas, de modo a obter reações mais centradas, racionais e harmônicas, mesmo quando diante de situações extremas.

O chakra tocado por essa vibração é o cardíaco: a sua função principal é metabolizar a energia do amor. O poder pessoal de amar e ser amado é desperto neste chakra. Esse chakra, também é o centro energético dos sentimentos e emoções. Sua função é o amor e está ligado às emoções superiores, afetos, sentimentos e à necessidade pessoal de aceitação e apreciação. Nele residem, por exemplo, a bondade, a piedade, a afeição. Esse centro de força dá sustentação aos serviços da emoção e do equilíbrio em geral.

Para a Umbanda os Orixás são vibrações do criador, regentes da natureza justamente porque regem os seres, as espécies e as criaturas que foram geradas por Deus, mas germinarão e crescerão em sua natureza divina. Muitos acreditam que os Orixás só regem sobre a natureza física, mas estão enganados, eles regem tudo que Deus criou, a partir de algo concreto, sensível e palpável. Oxum não existe por si só, e não pode ser dissociada de Deus.

Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais.

São em suas águas que acontece o sacramento do Batismo. Ele é o primeiro e o mais importante dos sacramentos, pois é a porta de entrada para o recebimento das bênçãos divinas e dos demais sacramentos. As preces, toques, cantos e ritos do batismo na Umbanda compõem a linguagem expressiva de nossa religião, em um cerimonial litúrgico poético, santificado e participativo da vida divina na nova religião. Na Umbanda o ritual tem um aspecto “mágico-religioso”, de invocação e evocação de poderes e mistérios, da manipulação de elementos e transformação nas energias internas e externas, e sua repetição visa potencializar tudo o que é metodicamente solicitado à divindade estabelecendo um vínculo cada vez mais forte com a egrégora que sustenta esta religião no astral e guarda sintonia, compartilhando, o “Axé” (poder de realização).

Mel, frutas, flores, canjica amarela e elementos doces são elementos de suas firmezas. A doçura desse Orixá se expressa pelas oferendas entregues a ela. É comum vermos a representação de Oxum vestida de amarelo-ouro, representando a riqueza dessa Orixá, e a que se deve sua denominação de “Senhora do Ouro”, que era outrora do Cobre, por ser o metal mais valioso da época. Porém, na Umbanda a representamos na cor Azul-claro, que lembra as águas dos rios e cachoeiras.

Sua saudação significa “Olhai por nós, mãezinha” falamos “Ora ye ye ô!” pedindo sua proteção.

Oxum, a Orixá mais sincretizada com Nossa Senhora

Por razões históricas de sua constituição, as religiões afro-brasileiras são as que mais se aproximam de outras, primeira e especialmente do catolicismo, e em segundo plano de religiões indígenas. Pela densidade do sincretismo que se pode observar a olho nu, as religiões afro-brasileiras, entre elas a umbanda, não raro, são classificadas numa categoria genérica denominada religiões sincréticas. Para o sociólogo Reginaldo Prandi, “Antes de serem embarcados nos navios negreiros, ainda na África, os escravos eram batizados e introduzidos nas práticas rituais da Igreja católica. Quando não, a inclusão compulsória no catolicismo fazia-se no desembarque. Desse modo, os negros que instituíram no Brasil as religiões afro-brasileiras eram, por força da sociedade da época, e da lei, também católicos. Acabaram por estabelecer paralelos entre às duas religiões, identificando, por meio de símbolos ou patronagens comuns, orixás com santos católicos, a Virgem Maria e Jesus Cristo... Qualquer tentativa de superação da condição escrava, como realidade ou como herança histórica, implicava primeiro a necessária inclusão no mundo do branco. Podiam preservar suas crenças no estrito limite dos grupos formados por africanos e descendentes.”.

Oxum talvez seja a Orixá que mais foi associada a diferentes santas católicas no processo histórico do sincretismo religioso nas religiões de matriz africana de norte a sul do país. As qualidades da Orixá que mais influenciaram na associação com a Virgem Maria foi a maternidade, a grande mãe (Yalodê) com a capacidade de cuidar de seus filhos, e claro, as virgens ligadas aos rios e ao poder curativo das águas.

Em Pernambuco e em outros estados do Nordeste foi sincretizada com Nossa Senhora do Carmo, por influências e presença das ordens carmelitas e seus escapulários.

Na Bahia, foi sincretizada com Nossa Senhora das Candeias ou da Candelária, como também é conhecida e cultuada na famosa Fonte Milagrosa de Nossa Senhora das Candeias, uma belíssima fonte ornamental, onde as pessoas tocam as mãos, crendo no poder das águas.

Os baianos também a sincretizaram com Nossa Senhora dos Prazeres. A história conta que a imagem da Virgem apareceu em cima de uma fonte de água na cidade de Alcântara, em Portugal e curas milagrosas aconteceram na vida de pessoas que iam beber água na fonte.

Em Minas Gerais foi sincretizada com Nossa Senhora das Dores ou Nossa Senhora da Piedade. Lembrada por ser trespassada por uma espada de dor, quando da Paixão e Morte de seu Filho, unindo-se ao seu sacrifício enquanto redentor e sendo, por isso, chamada pelos teólogos de Corredentora do Gênero Humano.

No Norte do Brasil, foi sincretizada com Nossa Senhora de Nazaré. A Virgem protetora dos ribeirinhos e pescadores, que navega os rios da região na época do Círio.

No Sul do Brasil, foi muitas vezes sincretizada com Nossa Senhora Imaculada Conceição. Protetora dos pescadores e navegantes.

No Centro-Oeste e sudeste é associada à Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a virgem encontrada em um rio no interior paulistano.

O elo que uni os seres sob uma mesma crença religiosa é o magnetismo agregador de Oxum. Por esse motivo comemoramos o dia de Oxum em 12 de outubro, Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e quem uni todo o País em fé.

Fotografia de mulher negra caracterizada como Nossa Senhora, com véu rendado e grande resplendor dourado ao redor da cabeça

Elementos Correspondentes

Elementos Correspondentes

Cor
Azul-claro e Amarelo-ouro
Elemento
Água
Dia da Semana
Sábado
Domínios da Natureza
Águas doce dos rios, cachoeira
Domínios da vida
Sensibilidade e equilíbrio emocional.
Pedras
Topázio azul ou amarelo, quartzo verde ou rosa, amazonita, cornalina.
Ervas
Camomila, colônia, calêndula, pingo d’água, dinheiro-em-penca.
Flores
Rosas-amarelas, lírios e jasmim.
Elemento ritualístico
Abebé (Leque com uma das faces espelhadas)

Roda de Ancestralidade

Pai Benedito de Angola

Uma lição do Mestre Jesus.

Esta foi a primeira manifestação de Pai Benedito na roda de ancestralidade, foi trazido e apresentado por Vovó Cambinda. Chegou com seu jeito descontraído e logo cativou a todos com seus ensinamentos. Ressaltamos que os textos aqui publicados foram readequados a linguagem escrita, respeitando ao máximo as falas transmitidas pelo processo mediúnico da psicofonia.

“Que louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Salve Deus! Salve São Benedito! Salve a Irmandade dos Pretos e dos Pardos. Meus filhos, fui velho de cativeiro, mas não guardei nenhuma mágoa. Aprendi com o passar dos anos que mágoa antiga só nos adoece. O perdão, meus filhos, é a cura, a melhor cura que existe. Mas hoje não vou falar desta época, mas sobre vivências que tive em terreiro. Já que gosto mesmo é de botar o pé no chão do terreiro e sentir a energia, sentar-me no toco e atender a quem mais necessita, na benção de Nzambi e na benção de São Benedito. É meus filhos, vocês sabem que trabalhar no terreiro dá trabalho mesmo, esse nome faz jus ao trabalhador, afinal trabalhar no terreiro é lidar com gente, por isso temos muita história para contar. Todos nós temos nossas histórias, e todas são importantes, pois é assim que esses velhos aprendem para depois vir aqui ensinar.

Certa feita em uma dessas casas de trabalho existia um médium ótimo de trabalho, esse era danado, daqueles que você podia contar com ele para qualquer necessidade. Da limpeza do terreiro ao atendimento, ele estava presente. Sempre sem reclamar de nada do que fazia. Porém, abismado esse velho ficou em um dia, que sentado no toco em atendimento a esse médium, ele veio reclamar justamente por achar que no terreiro ele não estava sendo valorizado. Listou cada coisa que realizava, a ponto de me deixar abismado sobre a quantidade de coisas que fazia pela casa. Reclamava que o Babá da casa dava atenção aos médiuns que nem ligavam para o trabalho, relapsos, mas que eram buscados em casa, que tinham toda a atenção e não permitia sair do terreiro. Médiuns que em sua opinião não fariam falta alguma.

Meus filhos, esse velho pensou justamente no Cristo Jesus, e agora, o que falar para um médium que faz o trabalho direito, mas está dizendo que o babá não dá atenção a ele. Esse velho logo lembrou dos ensinamentos do Mestre. Esse é o primeiro ensinamento de hoje. Quando você não souber o que fazer ou falar, você para e se pergunta. O que faria nessa situação o mestre Jesus? Então, eu lhe perguntei se era de seu conhecimento a parábola do filho pródigo.

O médium respondeu que não era muito ligado a ler a Bíblia, mas que poderia procurar conhecer melhor a parábola para compreender o que esse velho dizia. Eu então lhe disse:

– Antes de você ler eu gostaria de lhe explicar uma coisa. A época em que o Senhor falou essa parábola, ela falava aos publicanos e aos pecadores. Os publicanos eram os judeus que cobravam os impostos para o Império Romano, vocês podem imaginar o quanto eram odiados e não bem-vindos em qualquer lugar. Já os pecadores, eram todos aqueles que os doutores da lei e os escribas consideravam infratores da Lei Divina. Que não seguiam sua cartilha e suas leis. Lembrando que o próprio Cristo fora considerado um infrator da Lei. Entre os publicanos, Jesus encontrou Mateus para ser seu discípulo, entre os pecadores encontrou quase todos os outros, pois o Mestre não selecionava quem ficaria a seu lado, ali permaneciam todos aqueles que mereciam escutar seus ensinamentos para mudar suas vidas. Os gentios, os mendigos a qual todos chamavam pecadores. Assim ele se sentia bem, pregando seu evangelho a todos, que dele necessitavam. Diferente dos doutores da Lei que falavam apenas a poucos escolhidos. Lhe expliquei isso antes de lhe contar a história que irei contar a vocês.

Existia um senhor de posses de suas terras, um criador de ovelhas bem-sucedido. Este tinha dois filhos. O filho mais velho era como esse médium, trabalhava de sol a sol, obedecendo ao pai e fazendo de tudo pela propriedade. O filho mais novo, já nem tanto, em sua juventude sonhava em conhecer as farras do mundo, e pediu isso a seu velho pai. Divida a sua herança agora em vida, quero a minha parte, pois quero ganhar o mundo, ir à Grécia, ao Egito, e a outras partes da Ásia Menor. Necessito da parte a qual tenho direito.

O velho coitado, mesmo de coração partido, sabendo que o filho morreria para a família, resolveu por amor ao filho lhe entregar sua parte. Deu um terço de tudo que tinha aquele jovem que no mesmo dia partira. Pródigo quer dizer aquele que esbanja, gasta mais do que possui ou necessita, como dizemos hoje, estragado. Foi gastar a fortuna que o pai juntou por décadas em sua vida e nunca mais deu satisfação ou notícias à sua família. Todavia tudo aquilo que se tira e não se coloca, um dia acaba. A fortuna foi acabando e ele ficando sem nada, sem guardar nenhuma reserva teve que trabalhar para se sustentar. Até que um dia conseguiu um trabalho para cuidar de porcos, pois o que lhe restava da ração era do que se alimentava. Foi humilhado em terras alheias, se sentia menor que os porcos. Lembrando que para um judeu o porco é sujo e todos aqueles que cuidam dos porcos são impuros.

Pintura em tons de sépia de um homem idoso abraçando um jovem de costas, em referência à parábola do filho pródigo

Seu coração se enchia de vergonha por tudo que fez, não querendo voltar para casa. Porém, meditando sobre sua situação, percebeu que na casa de seu pai não seria tratado como porcos. Era preciso voltar e pedir perdão ao velho. Um dia esse jovem voltou, e ao aproximar-se ainda a certa distância, aquele velho de coração partido reconheceu o jovem filho. Caiu em festa, ajoelhou em agradecimento e beijou o filho maltrapilho. Ficou tão feliz o velho em receber aquele que tinha se perdido na vida, mas que ali retornara a sua família. Mandou seus empregados preparar-lhe o melhor cordeiro, pois fariam uma festa.

Porém, o filho mais velho, vendo aquela cena encheu-se de ódio. Como seu pai iria receber em festa aquele que nem a família mais pertencia? Afinal havia recebido sua parte na herança, como se o pai já tivesse morrido. Aquele que humilhou o pai, gastou sua fortuna e retornou pobre e maltrapilho.

O pai muito sábio, acalmou o filho mais velho e lhe disse. Tu aqui cuidaste da minha fortuna, cuidaste das propriedades, não porque tu me amavas, mas pelo que herdarias, e para tu ficares cada dia mais rico. Tua parte está garantida, nunca pensardes na dor que senti quando meu filho partiu? A dor de perder um filho. Quando esse filho retorna é preciso fazer uma festa, tratá-lo e acolhê-lo sem julgá-lo.

Então fui contando essa história ao médium e lhe explicando o que o Mestre Jesus queria dizer com essa parábola, e para quem realmente ele falava. Filhos, ele falava não aos publicanos ou aos pecadores, todavia falava aos doutores da Lei, tão ímpetos, tão certos de si e donos da verdade. Perguntei aquele médium. Quem é o Pai nessa parábola? Você sabe dizer meu filho? O Pai é NZambi, que mesmo que os filhos se percam na jornada, é a eles que lhes dará mais atenção. Pois, os filhos que trabalham e estão no caminho do bem já são seus filhos. Mas com as ovelhas desgarradas é preciso trabalhar com mais afinco, buscar em casa, trazer para perto de si, dedicando amor a todos os pecadores. O filho mais novo são os pecadores, que só serão filhos se NZambi não julgá-los e acolhê-los. Já o filho mais velho, são os Doutores da Lei, estavam ali o tempo inteiro dizendo que cumprem a Lei de Deus, porém esquecendo que a Lei maior é acolher quem necessita. O filho mais velho esqueceu do principal, que não era a fortuna, mas cuidar do coração daquele velho pai. Ele sabia o caminho, não foi em busca do irmão, ficou pensando apenas na recompensa. Assim como os doutores da lei que viviam em hipocrisia, sob uma lei vazia que lhes traria a salvação.

Então eu trouxe para o terreiro. Será meu filho, que você está sendo o filho mais novo, o pai ou o filho mais velho? Você está aqui trabalhando no terreiro, esperando sua recompensa ou para ajudar a salvar os pecadores, os filhos mais novos desgarrados? Que não são perfeitos, que às vezes não cuidam do terreiro como deveriam, mas que o Babá está acolhendo e cuidando sem julgamentos.

Filho, ajuda seu Babá a cuidar dos seus irmãos mais novos, para que ele não fique de coração partido toda vez que um deles se desgarra e deixa o terreiro.

Assim eu me apresento hoje aqui no terreiro trazendo essas histórias e agradecendo ao Mestre por todas que tanto tem a nos ensinar”.

Mucuiu NZambi! (Que Deus Abençoe!)

Sou água que flui

Sou água que flui
sou emoção a flor da pele
sou seguir por entre pedras
sou nascer de olho d’água
sou corredeira e cachoeira
sou rio manso e águas calmas
sou rio de amor
sou vida que brota
carrego comigo as histórias
de todos os cantos que passo
levo os galhos secos
deixo úmida à terra com vida
mergulho em mim mesma
penetrando a escura profundeza
descubro a luz da clareza
nas águas de minha Mãe Oxum...
Sagrada Senhora

Umbanda tem Fundamento

Água fonte de criação e vida

Yabá, cujo significado é “Mãe Rainha”, é o nome utilizado para se referir aos Orixás femininos. Quando temos contato com as histórias das Orixás, reconhecemos as características ancestrais das Yabás e resgatamos a memória ancestral dos povos africanos. É também uma possibilidade de ampliarmos as referências que temos quanto aos aspectos do feminino e seus elementos curativos. Cada uma das histórias dessas Orixás se comunica com nossas vidas. Evidenciam como as Yabás amparam quem precisa de ajuda, ou inspiram nossas atitudes com valores e características que elas trazem para nos auxiliarem.

Sob todo aspecto, o contato com a natureza é algo de extremo valor para a saúde física e emocional. É parte de um processo curativo que todos que procuram qualidade de vida deveriam tomar como hábito. Nos momentos de contato mais íntimo com a água, o verde e as folhas há uma troca energética intensa, que, embora invisível, pode ser facilmente percebida em seus resultados práticos, empíricos, mesmo que ainda não sejam detectados pelos instrumentos tecnológicos atuais.

Oxum é a rainha das águas doces, dos rios, das cachoeiras. É ela quem surge para manter o equilíbrio das emoções. A água e suas energias têm propriedades revigorantes e atenuantes de emoções fortes e tempestades emocionais, geralmente nocivas a pessoas e ambientes. Além de reabastecer o indivíduo, a água absorve e transmuta qualquer categoria de energia, densa ou sutil, realizando trocas energéticas altamente proveitosas.

Cachoeiras, rios, riachos e fontes de água doce suavizam as emoções por agir diretamente no campo Astral do ser humano. Ao entrar em contato com esses locais, o corpo astral ou emocional abastece-se sendo higienizado. Como a água possui a capacidade de absorver todas as frequências eletromagnéticas, assimila as energias densas anexadas à aura.

Em seguida à absorção de elementos de natureza mais densa, antes aderidos ao campo áurico, a irradiação da água doce provoca uma transferência energética revigorante, cuja característica suaviza, eteriza nossas vidas, principalmente se ocorrer em ambientes ricos em plantas e com muito verde. Além de tudo, a própria atmosfera do local traz certo encantamento e tamanha beleza, que inspira artistas de todos os tempos, o que mostra como se torna favorável à mente a sintonia fina com tais elementos sutis.

Norberto Peixoto em seu livro – Encantos de Umbanda – Os fundamentos básicos do esoterismo Umbandista, narra que: “A água na Umbanda é um dos elementos naturais mais receptivos. Com uma energia altamente atrativa e condutora, ela é utilizada principalmente pelos Guias Espirituais nos momentos em que há a necessidade de realizar uma imantação ou fixação fluídica, limpeza, purificação e energização de nosso Corpo Astral e do terreiro. Afinal existem cargas e energias negativas que somente esse elemento natural consegue desfazer, limpar e equilibrar. Além disso, a água representa vida, pois sem ela não existe nada vivo no planeta. É utilizada nos assentamentos vibratórios diversos, na comunidade terreiro”.

É bom não se esquecer, no entanto, de uma informação relevante. As propriedades de fixação, penetração ou absorção das energias encontradas na natureza não são de forma alguma absolutas; muito pelo contrário, dependem da conexão mental e emocional do indivíduo com a fonte natural. Quem entre em contato constante com os elementos da natureza, mas não se envolve com eles, ignorando o recurso de que dispõe, e tampouco estabelece uma postura mental e emocional de respeito e valorização dos sítios naturais, evidentemente não consegue realizar a transmutação ideal. É preciso adotar uma atitude genuína de respeito e uma relação mais profunda com os elementos da natureza para se beneficiar de toda a amplitude de recursos que eles têm condições de oferecer. É necessário envolver-se com o objetivo curador.

Por essa razão, ao banhar-se ou tão somente aproximar-se de tais sítios naturais, o indivíduo costuma sentir grande alívio. Relata estar mais leve, tranquilo e com emoções mais brandas.

Sabemos que a água que existe no planeta Terra, é a mesma que nossos antepassados utilizaram no seu dia a dia, para seus rituais e para o crescimento de todas as civilizações. Se a água flui, mesmo com todas as intempéries que sofre, podemos então aprender com a mesma à superar momentos, adaptarmos e quem sabe transmutá-los.

Ilustração de uma cachoeira caindo entre rochas cercadas de vegetação verde

Sala de Cura

A Síndrome da ressonância vibratória com o passado

Se ao reencarnarmos temos o esquecimento de nossas vivências passadas, como essas experiências podem ainda influenciar nossos sentimentos no presente?

Para entendermos como isso é possível, primeiramente temos que abrir um parêntese para falamos sobre a auto obsessão, e de como funciona a mente humana. Se não temos, durante a vida corporal, uma lembrança precisa do que fomos e do que fizemos, de bem ou de mal nas nossas existências anteriores, temos a intuição. Nossas tendências instintivas são uma reminiscência do nosso passado. No livro - O homem integral – o espírito Joana de Angelis nos ensina que “... Nos alicerces do inconsciente profundo encontram-se os extratos das memórias pretéritas, ditando comportamentos atuais, que somente uma análise regressiva consegue detectar, eliminando os conteúdos perturbadores, que respondem por várias alienações mentais...”.

Essas alienações a qual ela menciona são as chamadas auto obsessões, onde o indivíduo por força do seu psiquismo inconsciente influencia diretamente seus pensamentos, raciocínio e percepções no consciente. Entendemos obsessão como sendo a ação persistente que um espírito exerce sobre um indivíduo. Já, na auto obsessão temos o próprio indivíduo como manifestador de sua desarmonia. As causas são variadas e entendê-las uma a uma permite saber como identificar sua origem e o tratamento a ser realizado. Como afirma Alan Kardec em seu livro – Obras Póstumas – “Não raramente, o homem é obsessor de si mesmo”.

Lembranças sugestivas de uma outra encarnação, seguramente, fluem de um arquivo de memória que não o existente no cérebro material (consciente), sugerem a evidência de arquivos perenes situados em campos multi-dimensionais da complexidade humana, portanto, estruturas que preexistem ao berço e sobrevivem ao túmulo no inconsciente individual do ser. O espírito eterno que nos habita, guarda todas as cenas vividas nas encarnações anteriores, ou seja, todas as sensações, emoções e pensamentos, com todo seu colorido e nuances. Aqui iremos abrir outro parêntese para melhor compreensão de onde queremos chegar.

Essas memórias pretéritas estão gravadas por força do psiquismo em nosso perispírito, ou seja, no invólucro semifluídico que existe entorno do nosso corpo físico, que é subdividido no que chamamos corpos sutis.

Mais precisamente quando falamos de nossa sensibilidade, das emoções, desejos e instintos, estes estão guardadas em nosso Corpo Astral.

Assim como nosso duplo etérico onde se encontram os chakras (centros vitais de energia), o Corpo Astral possui o mesmo formato do nosso corpo físico, sendo facilmente visível por clarividentes.

É onde acontece as chamadas incorporações de espíritos, pois todos os espíritos que incorporam em médiuns, possuem esta estrutura corpórea sutil, necessária à sua manutenção no mundo astral. É o chamado Modelo Organizador Biológico.

Mas voltemos as memórias pretéritas, e sua influência no agora. A pessoa encarnada não se recorda de vidas passadas porque o cérebro físico não viveu aquelas situações, e, logicamente, delas não tem registro. Nosso cérebro está apto a tratar de fenômenos que fazem parte da existência atual, e não de outras. Porém existem fatos vivenciados no passado, que permanecem latentes no inconsciente. A isso chamamos de Síndrome da Ressonância Vibratória com o Passado, entendendo como síndrome o conjunto de sinais e sintomas observáveis em vários processos patológicos diferentes e sem causa específica.

Ressonância vibratória com o passado, são vislumbres fugazes de fatos vivenciados em uma outra equação de tempo e espaço. Que em certas circunstâncias, na encarnação atual, emergem do psiquismo de profundidade por meio de flashes de situações vividas em encarnações anteriores.

“Se a ressonância é de caráter positivo, expressando a recordação de um evento agradável, não desperta maiores atenções, confundindo-se com experiências prazerosas do cotidiano. Porém, no caso de uma ressonância negativa, ocorrem lembranças de certas atitudes infelizes do homem terreno, a exemplo, de suicídios, crimes, desilusões amorosas e prejuízos infligidos aos outros, podem gerar conflitos espirituais duradouros. São contingências marcantes, responsáveis por profundas cicatrizes psicológicas que permanecem indelevelmente gravadas na memória espiritual. Nas reencarnações seguintes, essas reminiscências podem emergir espontaneamente sob a forma de “flashes ideoplásticos” e o sujeito passa a manifestar queixas de mal-estar generalizado com sensações de angústia, desespero ou remorso sem causas aparentes”. Explica o Dr. Lacerda de Azevedo em seu livro – Espírito Matéria. Fato é que em situação de passado angustiante, este passado se sobrepõe ao presente. A pessoa passa a se auto obsediar, ou seja, todos os sentimentos e angústias que em um passado não foram curados, por algum gatilho emocional passam a influenciar e reverberar nos sentimentos e percepções do presente. Podemos citar aqui as tendências suicidas, os medos e fobias, as síndromes com causas não identificáveis pela medicina tradicional, tendências viciosas e distúrbio comportamentais, etc. A angústia, ocorrendo inúmeras vezes, cria um estado de neurose que com o tempo degenera em psicopatia.

Outro quadro percebido em pacientes com a síndrome da ressonância vibratória com o passado são os constantes processos obsessivos com espíritos cobradores do passado. Estados vibracionais como estes podem atrair parasitas espirituais que agravam o quadro dos pacientes. Aquilo que não foi bem resolvido no passado, para o aprendizado e cura de ambas as partes podem ser resolvido no momento presente.

Ilustração de um jovem sentado à mesa, de cabeça baixa, com fios vermelhos saindo do peito e ligados a um liquidificador acionado por uma mão

Sinais de síndrome da ressonância vibratória com o passado:

  • Angústias e depressões sem causa aparente,
  • Fobias e medos incontroláveis,
  • Dificuldade de superar vícios,
  • Tendência suicida,
  • Instabilidade emocional e desvios comportamentais de violência,
  • Dificuldade de relacionamento ou convívio social,
  • Quando construímos por conta própria as interpretações e os juízos de valores para as pessoas, que não condizem com o tempo atual. (Machismo, racismo, homofobia, xenofobia etc.).

Tratamento recomendado:

Qualidade de vida, restabelecimento energético, resposta aos desafios da existência são objetivos que precisam ser procurados e alcançados, contudo, somente com a inteira participação e o comprometimento efetivo do sujeito, o principal envolvido, é que poderão ser solucionados os problemas de ordem energética e emocional. É preciso compreender que as curas espirituais acontecem por meio do autoconhecimento. Devemos buscar nos conhecer melhor, realizar um trabalho de interiorização para equilibrar nossas energias e pensamentos, ser mais positivistas e deixarmos de reclamar de tudo ou sermos empecilhos na nossa própria vida.

Quando existe uma doença que deve ser curada, ou seja, o espírito adoece e ainda não é hora de partir e esse espírito não está colaborando, fazendo sua parte, os implantes fazem esse trabalho e ajudam na cura e restabelecimento físico. Então, a espiritualidade se encarrega de abrir os canais espirituais da pessoa e fazer com que ela vá despertando gradualmente. Funciona como um “chamado”, que vai transformando a percepção de vida e mudando hábitos. Esses implantes são estruturas orgânicas e energéticas devidamente manipuladas pela espiritualidade e agregadas ao campo emocional do paciente. Como exemplo podemos citar o MOF (Micro Organizador Floral) sendo elaborados partindo de elementos vibracionais da natureza, unidos ao sentimento universal do amor. Normalmente, ficam instalados do Duplo Etérico (no bulbo do corpo espiritual)

Outra forma de investigação e cura é a Apometria, que consiste no conjunto de técnicas mediúnicas utilizadas no tratamento das auto obsessões pelo desdobramento induzido dos corpos sutis do paciente. Assim é possível investigar no processo de regressão as causas no passado, e proceder o tratamento necessário em cada caso específico, proporcionando a despolarização de memória, e ainda, a harmonia entre as partes envolvidas.

Salve o Ponto

Oração a Oxum

Ora ye ye ô Oxum
Eu quero ter uma casa na floresta
um pomar e uma mina com água cristalina pra poder te cultuar (2X)
Um jardim com flores belas, flores amarelas,
na beira da cachoeira borboletas a brincar (2X)

Refrão:
Ora ye ye ô Oxum
Ora ye ye ô (4X)
Ora ye ye ô Oxum

Eu quero ter um canto na natureza
pra poder plantar beleza com crianças a brincar (2x)
Um terreiro bem bonito, todos reunidos,
mesa farta e couro forte pra poder te cultuar (2X)

Ora ye ye ô como é linda a cachoeira
Ora ye ye ô como é linda a cachoeira (2X)
E essa água vem descendo pela pedra,
bate lá no fundo dela, vem tocando seu tambor (2x)
Foi mamãe Oxum que tocou o seu tambor
e com amor todo mundo abençoou (2x)

Compositora: Dan Sonora

Oração

Salve Mamãe Oxum, benditas são suas águas e cachoeiras.
Banhe minha vida de alegrias e de equilíbrio emocional.
Peço a Vós alegria para o coração, removendo as mágoas, a depressão, as tristezas e pensamentos negativos.
Que as feridas que os outros me causaram sejam curadas, que as lembranças que me fazem sofrer sejam esquecidas.
Peço a vós o equilíbrio emocional, paz na alma e no coração.
Ora yê yê ô mãe querida.

Na Estante

Oxum: a mãe da água doce

Título
Oxum: a mãe da água doce
Autor
Luis Filipe de Lima
Editora
Pallas
Coleção
Orixás
Corrente
Religiões de Matriz africana
Capa amarela do livro Oxum, de Luís Filipe de Lima, da coleção Orixás da editora Pallas, com desenho estilizado de um abebé e uma estrela

Este é um dos livros mais completos (e extensos) dessa coleção “Orixás” da editora Pallas. A pesquisa do autor mostra elementos do culto a Oxum não só no Brasil (Umbanda e Candomblé), como em Cuba e no culto tradicional africano. Couberam a Luís Filipe de Lima o privilégio e o desafio de falar sobre Oxum, talvez o mais cultuado e amado dos Orixás. Oxum é símbolo focal do panteão afro-brasileiro, a grande mãe zeladora de gestantes e crianças, que também pode se apresentar como a Iabá sedutora, e vaidosa. O ofício acadêmico acrescenta valor e remete o texto a outros interessados artistas, alunos, como também a todos aqueles que pretendem se aprofundar nos meandros da filosofia e da religiosidade afro-brasileiras.

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Direção do Templo / Revisão
José Adilson Dantas
Pesquisa
Dilene Nunes
Jornalista Responsável / Projeto Gráfico
Gleison Cardozo - DRT DF-8266

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