Ecos de AruandaNº 03

Bombojiras, o sagrado feminino

No mês do Dia Internacional da Mulher, o arquétipo das Bombojiras, representantes do sagrado feminino na Umbanda. Se Exú é rei, Bombojira é rainha.

Leitura de 20 minutos

Ilustração de uma mulher de cabelos ruivos e vestido longo preto e vermelho, de saia rodada, com a mão na cintura

Editorial

ECOS DE ARUANDA traz o arquétipo das Bombojiras. Sim, essa é a nomenclatura correta para o feminino de Exús, comumente chamadas de Pombagiras. Ninguém melhor que essas representantes do sagrado feminino para celebrarmos o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, e pensarmos o conceito de feminilidade e o que ele significa efetivamente na vida das pessoas.

Obviamente existem as conquistas das mulheres no espaço de Umbanda, conquistas alcançadas por meio da luta incansável de mulheres representativas, mas o que mais consideramos importante na pesquisa para realização de um informativo com essa pauta foi pensar o que ainda falta ser conquistado. Importante reconhecer que a cena nos terreiros ainda é hostil, misógina e racista quando espelha nossa sociedade.

Consideramos que a melhor maneira de mudar essa realidade é conhecer, aprofundar e informar os frequentadores da Casa de Pai João de Aruanda além de trazer nosso ponto de vista aos assuntos de interesse da religião de Umbanda.

Gratidão aos leitores e leitoras pelas críticas e sugestões enviadas. Qualquer questionamento sobre os assuntos tratados pode nos ser enviado por e-mail, estamos aqui, juntamente com nossos Guias espirituais dispostos aos esclarecimentos à luz da Umbanda.

Te convidamos a apreciar essa terceira edição
Boa leitura!

Jardim Sagrado

Dedo de Moça

Capsicum baccatum é o nome científico de uma pimenta conhecida como pimenta dedo de moça ou pimenta-aji, originária do Peru, da qual existem diversas variedades. Como todas as pimentas, essas são ervas quentes que não devem ser usadas em banhos, chás ou escalda-pés. Ervas quentes são agressivas porque sua utilização sem critério pode causar transtornos energéticos, pode além de limpar as impurezas alojadas em nossos corpos astrais, também, esgotar energia vital importante para nós. Por esse motivo deve-se tomar muito cuidado ao manipular essas ervas e respeitar os conhecimentos sagrados.

O uso de Ervas quentes ou agressivas por Exús e Bombogiras se dá pelo campo de ação dessas entidades na dissolução de miasmas, projeções mentais, e estruturas energéticas negativas.

Caso deseje harmonizar o chacra umbilical que representa o nosso centro da energia sexual e das forças criativas, o melhor é fazer um banho com ervas frias, como rosas vermelhas e algumas gotas de óleo essencial de Ylang Ylang, também conhecido por Cananga Odorata, aproveitando suas propriedades afrodisíacas.

Pimentas dedo de moça são utilizadas por sua grande concentração de ferro e magnésio, tendo o poder de acelerar o metabolismo do corpo e a queima ou dispersão das energias que provocam a depressão. Nos auxiliando a crescer espiritualmente, nos trazendo prosperidade e, ajudando em vários aspectos de nossos relacionamentos amorosos e interpessoais.

Saudação

No dia 08 de março comemoramos o Dia Internacional da Mulher, dia para celebrar a luta feminina pela igualdade de direitos. Ninguém melhor que as Bombojiras para representar o sagrado feminino na Umbanda.

Para o pesquisador e umbandista Alexandre Cumino: “ser Pombagira é agir, de maneira transgressora a condutas de uma moral conservadora e subversiva contra as atitudes preconceituosas, machistas e misóginas da sociedade. É dar um ‘grito’ de liberdade em prol de sua auto emancipação. É agir conforme o seu interior deseja”.

Infelizmente não dispomos de dados históricos que situem com exatidão a época do aparecimento das Bombojiras nas tendas de Umbanda, sabemos que sua origem remonta a cena carioca dos terreiros da Lapa, todavia segundo o historiador Reginaldo Prandi podemos afirmar que: “o mito da Pombagira, oriundo do sincretismo religioso, é constatado na tradição oral, que se manifestou no Brasil desde o século XIX. Quando apenas o catolicismo era a única religião aceita no país”.

Bombojiras são Exús femininos e atuam no campo da esquerda umbandista, ou como definimos esse campo, na Quimbanda. Assim como os Exús masculinos são cultuadas nos terreiros como agentes executoras da Lei Maior, que possuem força, coragem e poder de transformação e luta, o trabalho delas é “equilibrar as energias do desejo. São alegres, divertidas, simpáticas, conhecem a alma humana e suas intenções. São responsáveis por descarregar as pessoas e os ambientes de energias viciadas, haja vista que são equilibradas e sensuais” explica o presidente da Associação Brasileira de Escritores Afroreligiosos, Ademar Barbosa Junior.

Barbosa diz ainda que o termo como são conhecidas essas entidades, Pombagiras: “é na verdade uma corruptela de Bombojira, que em terreiros bantos, significa Exú”. Curiosamente na África, o Orixá Exú para o povo iorubá, não tem uma representação feminina. Por sua vez, o nome Bombojira deriva do quicongo “mpambu-a-nzila” que tem por tradução “encruzilhada”.

A imagem das Bombojiras na Umbanda evoca respeito e cautela. Contudo, em uma sociedade em que os valores masculinos predominam, a presença desse Exú feminino perde parte de sua força, magia e poder, sendo relegada à condição marginal de ser inferior, subalterno e subordinado, condição esta ainda percebida como “o papel da mulher” e vivenciada em determinadas situações da sociedade brasileira na atualidade.

Sônia Lages, pesquisadora da UFJF ressalta em sua tese Exú - Luz e Sombras. Uma análise psico-junguiana da linha de Exú na Umbanda que: “por influência do kardecismo, a Pombagira é o espírito de uma mulher que em vida teria sido uma prostituta, mulher de baixos princípios morais, empenhada em conquistar os homens com suas proezas sexuais”. No senso comum ela encarna o estereótipo da prostituta e nos terreiros surge seduzindo e provocando homens e mulheres com seu riso irônico, sarcástico, gestos eróticos, fumando e bebendo. É a provocação de quem desconhece as travas morais e sociais.

Para Alexandre Cumino, esse conceito: “vai ao encontro com as visões obtusas e machistas, porque estereotipa a imagem dessa Deusa mulher como uma profana e promíscua simplesmente porque ela gargalha, bebe, fuma e dança, performances não permitidas para a mulher que deveria ser contida e submissa”. Em seu livro, Pombagira - A Deusa – Mulher igual você, Cumino afirma que ela é: “brutalmente rechaçada socialmente, pois tem sua liberdade sexual como medida de suas dignidades. É o avesso dos moldes morais da bela, recatada e do lar.”

Esse pensamento misógino e racista infelizmente foi perpetuado nos terreiros de Umbanda. Bombojira devido a seu caráter transgressor e extrema liberdade sexual encarna o mito da mulher demônio, ao mesmo tempo temida e desejada que seduz, atrai e domina os homens conduzindo-os à perdição. Essa analogia da mulher à imagem do demônio, em especial da mulher negra, reforçando e potencializando a discriminação racial que por sua vez reduz as possibilidades de a mulher negra ser uma pessoa empoderada. Esse fato é determinante para se construir uma identidade que é amplamente perpassada por ações negativas que repetem estereótipos misóginos e racistas.

Nesse sentido, podemos afirmar que a origem do mal cair sobre a mulher está centrada totalmente na questão da sexualidade, e mais uma vez assistimos a demonização na concepção ocidental na imagem dos Exús femininos que deram origem à Bombojira, assim como a demonização de tudo aquilo que veio do negro.

Fotografia de uma rosa vermelha com caule e folhas sobre fundo escuro

Como Iemanjá ao ser sincretizada com Maria, a mãe de Jesus, sofreu uma grande moralização e embranquecimento de sua imagem, tornando-se símbolo maternal de pureza, doçura e delicadeza, sendo generosa e de luz. A Bombojira foi sincretizada, pelos aspectos sexualizados do poder feminino, com a prostituta. A “mulher da vida” que se manifesta nos terreiros para resolver problemas amorosos, sexuais e financeiros.

Uma entidade promíscua e profana que se contrapõe o feminino em Iemanjá. Prandi afirma que: “a Pombagira, que surge do sincretismo religioso, representa na concepção ocidental católica a encarnação do pecado original, pois não é submissa ao homem como Eva foi em relação a Adão, um mero apêndice dele. Ela acumula todas as características negativas que definem a mulher promíscua como principal responsável pela propagação do mal no mundo porque representa a tentação mais temível do demônio segundo a religião judaica cristã”.

Assim, podemos considerar que esta figura tão emblemática para as religiões de matriz africana acaba sendo, também, muito importante para a sociedade em que vivemos, mesmo que seja uma sociedade carregada de princípios morais e dogmas religiosos, machista e sexista, pois a atitude dessa entidade nos terreiros de religiões afro-brasileiras está contribuindo progressivamente para o fortalecimento da mulher, principalmente o feminismo negro por meio de sua atuação firme, alegre e extrovertida que de certa maneira fortalece o despertar das pessoas fazendo com que se quebre, gradativamente, os estereótipos construídos acerca de que tudo que “vem de preto é coisa do mal e ruim” e tudo que “vem de uma mulher que ri, gargalha, dança, bebe e fuma” é promíscuo.

Essa mulher é nada mais que um ser interior, uma força interna e inerente a cada um de nós. Ela é o grande arquétipo do feminino existente em cada homem e em cada mulher, por isso é a responsável pela construção de uma nova identidade, autêntica, corajosa e guerreira. Neste contexto de marginalidade, se Exú é rei. Bombojira é rainha.

Laroyê Bombojira!

Elementos Correspondentes

Cor
Vermelho e preto
Elemento
Fogo
Dia da Semana
Segunda-feira
Astro regente
Mercúrio
Metal
Ouro
Domínios da Natureza
Encruzilhadas astrais
Domínios da vida
Energia sexual, energia criativa
Pedra
Jaspe vermelha, Ágata de Fogo
Ervas
Pimentas, carrapichos, urtiga, mamona roxa
Flores
Rosas vermelhas, hibiscos

Roda de Ancestralidade

Vovó Cambinda

Curar é como cozinhar

Vovó Cambinda guia de Umbanda é uma das Pretas Velhas que temos a honra de receber na Casa de Pai João para os ensinamentos na Roda de Ancestralidade que acontece mensalmente. Por aqui vamos replicar esses ensinamentos. Sabemos que a transmissão dos conhecimentos ancestrais de forma oral tem suas peculiaridades, que não conseguiríamos aqui reproduzir. Os textos que aqui são publicados foram readequados a linguagem escrita, respeitando ao máximo as falas transmitidas pelo processo mediúnico da psicofonia. Então vamos a mais uma história.

“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e para sempre seja louvado. Que bom encontrar mais uma vez esses filhos, espero eu que todos bem. Tenho ouvido muito a fala dos filhos em que o maior desejo para esse ano de 2021 é a cura. Os filhos sabem que mais do que nunca, nesses tempos de pandemia o saber dos médicos, e o saber científico não pode ser rejeitado. Apesar de sermos gratos a eles, não é desse saber que vamos conversar, mas do saber ancestral que precisa ser respeitado e visibilizado.

Quero falar com os meus filhos sobre os processos de cura na medicina tradicional. Falar de coisas que aprendi com minha mãe e minha avó, que por sua vez aprendeu também com minha bisa em uma trajetória de conhecimento que atravessou gerações, que ainda hoje eu posso repassar para os meus filhos e filhas nessa roda de ancestralidade. Tudo que eu aprendi foi olhando e escutando minhas matriarcas e o que essas mulheres sábias tinham para me ensinar.

Meus filhos, quando falamos de cura ancestral logo pensamos nos banhos e chás de ervas que revitalizam as energias, num rezo que sara o cobreiro, num simples galho de arruda que afasta o quebranto e o mal olhado quando colocado atrás da orelha. Mas foi ali na cozinha, na beira de um fogão a lenha e agarrada na saia de minha mãe que tive o maior dos aprendizados.

Minha mãe sempre falava que curar é como cozinhar uma receita. Vejam vocês, para fazer um bolo de preto velho é necessário muito cuidadosamente separar os ingredientes: O fubá, a banha derretida na água morna com o melado para não cozinhar os ovos, o leite de coco, uma pitada de sal, um punhado de erva doce e o bicarbonato para poder fermentar. Depois de misturar tudo, bater com carinho, untar uma forma, coloca ele no forno e espera com paciência ele assar. Sim, curar é muito semelhante. Vou mostrar para vocês. Menina levada que era, enquanto minha mãe preparava as coisas eu estava ali na beira de sua saia, mas bastava colocar o bolo no forno, que eu corria a brincar. Mas nesse dia minha mãe muito sábia, segurou no meu braço e me disse: - Senta-te aí minha filha, hoje você vai esperar o bolo assar. Porque esperar um bolo assar é ver o bolo crescer, é ver o bolo mudar de cor. Tudo isso com a porta do forno bem fechada, quietinha e atenta. Caso contrário ele queima ou não cresce, pode até solar.

Com a cura tradicional não é diferente meus filhos, para fazer os remédios tem que separar os ingredientes e seguir uma receita para não errar. Mas na hora do acolhimento ao consulente meus filhos, não tem receita a seguir, é preciso saber escutar com a alma e de corpo inteiro.

Como ensinou minha mãe, esperar o bolo assar no forno significa acolher e saber escutar. É calar-se diante do outro, dando atenção exclusiva à pessoa que vem lhe falar. Ter respeito por quem fala e não julgar. É se propor a sair do lugar de centro com amor e empatia. Escutar é deixar que a pessoa se expresse e ficar atenta, respeitar o direito de fala e só perguntar algo, se aquilo for muito importante para compreender a demanda trazida por aquele que vem lhe falar.

Vejam meus filhos que situação, ali na beira daquele fogão não era de bolo que minha mãe falava. Eu estava ali aprendendo a me relacionar.

Mas aquela velha sábia me falou mais outra coisa. Que para curar e cozinhar meus filhos, é preciso o bem querer. É preciso ter disposição, pois se vocês vão fazer um bolo e fazem por obrigação ele não cresce e ninguém, nem mesmo você meu filho, sentirá vontade de experimentar. É preciso dedicação, escuta e acolhimento meus filhos, demanda muita atenção, não pode deixar o bolo assando e sair para brincar. Escutar é estar disponível por completo naquele momento para o relacionamento e a confiança estabelecida não desandar.

Às vezes o bolo demora a assar. Essa disponibilidade é uma construção que leva tempo, e o outro ainda não está se sentindo seguro para falar, prefere um outro momento. Isso não tem nenhum problema, significa que a massa ainda está crua, é preciso paciência e saber aguardar.

É meus filhos, olhem o quanto tem de semelhante na cura tradicional e no ato de cozinhar. Os dois precisam de muito amor e dedicação. Essa escuta é muito mais que curar, é a coexistência dos meus filhos e o curar coletivo. A humanização das relações com o outro, que faz tanta falta no atendimento médico que por aí vamos encontrar.

Lembrem sempre que escutar é um processo que podemos iniciar a qualquer momento. Como agora, obrigado meus filhos por me escutarem”.

Mucoiu Nzambi! - (Que Deus te abençoe!)

Umbanda tem Fundamento

Posso fazer casinha de Exú na minha casa?

“Exú fez uma casa sem porteira e sem janela. Mas ainda não achou morador pra morar nela...” diz a letra do famoso ponto Casinha de Exú. Mas que fundamento é esse?

Em muitas tendas de Umbanda quando adentramos podemos observar a esquerda, uma casinha fechada por uma pequena porta, construída do lado externo do terreiro, que tem por finalidade o assentamento das forças no campo da esquerda. Esse assentamento tem por nome correto “Tronqueira” que por definição no dicionário é – Subst. Fem. - Cada um dos esteios da porteira a que se prendem as varas da cancela. Mas que para a Umbanda é o local onde é firmado o assentamento da(s) entidade(s) que protegem a casa. Os chamados guardiões, Exús e Bombojiras. A casinha ganhou esse nome devido sua localização na entrada das casas.

Quando os colonizadores chegaram a África encontravam na entrada de muita das casas e praças representações do Orixá Esú. Os espaços sagrados de Esú são os lugares públicos, as entradas das cidades, das casas, das vilas, feiras, entradas de templos, além dos templos erigidos em sua homenagem. São nestes lugares, que seus assentamentos são colocados. A deturpação desse Deus do panteão africano permitiu no mundo ocidental a difusão da ideia de que é uma entidade que pratica o bem e o mal ou mesmo demoníaca.

A Tronqueira é um fundamento essencial nas casas de Umbanda, pois ali são assentados os elementos necessários para os trabalhos no campo da esquerda. Podemos encontrar diversos elementos solicitados por essas entidades de luz como: Imagens, velas, bebidas, charutos, cigarros, minerais, punhais e tudo aquilo que funciona como uma espécie de para-raios onde é esgotada as energias deletérias e impede que as forças hostis se sirvam do ambiente religioso de maneira deturpada e atrapalhem o desenrolar das Giras. Cada instrumento ou símbolo tem sua finalidade específica, e são ali assentados conforme as regras da casa e orientação dos Exús e Bombojiras que ativam suas forças de proteção nesses elementos, com a finalidade de realizarem seus trabalhos espirituais de caridade.

A Tronqueira como um dos centros de força da casa faz o trabalho inverso ao Congá. Enquanto o Congá tem polaridade positiva e irradiadora, a Tronqueira é um portal de polaridade negativa absorvedora e esgotadora de energias deletérias, que tem por finalidade a proteção, a limpeza e o esgotamento de energias densas.

É a energia transmutada da Tronqueira que alimenta o campo de força energético que se mantém no astral em uma enorme área em torno do terreiro. Por esses motivos Tronqueira é coisa séria, e precisa de cuidados dos zeladores da casa, pessoas devidamente autorizadas e preparadas para assentar os elementos.

Lembrando que nada impede que os frequentadores da casa, a pedido das entidades, ali possam firmar uma vela ou depositar uma bebida. Ao adentrar e sair das casas de Umbanda que as possuem, devemos saudá-la com muito respeito as Entidades de Luz que ali estão representadas, e isso deve ser feito não só pelos filhos da casa, mas também pelos consulentes.

Diante de tudo que foi esclarecido sobre a Tronqueira, não recomendamos fazer uma casinha de Exú em sua casa. Contudo nada impede de fazer uma firmeza para Exús e Bombojiras em sua residência. Há um grande mito que deve ser desconstruído por todos aqueles que creem que essas são também entidades de luz e proteção, devemos eliminar a carga de preconceito historicamente construída no ambiente interno e externo à Umbanda de um conceito deturpado sobre os trabalhos no campo da esquerda.

Quando uma pessoa se achar necessitada de proteção, pode se servir do poder desses guardiões, acender uma vela vermelha e preta, colocar o marafo (cachaça) para os Exús ou a taça de espumante para as Bombojiras, pedindo com fé, auxílio e proteção, que certamente receberá mediante seu merecimento.

Laroyê Exús e Bombojiras!

Sala de Cura

O que é o Descarrego:

Do verbo descarregar (retirar carga), no cunho religioso descarrego significa limpeza energética, saturação das energias deletérias, ou mesmo o afastamento da ação de espíritos obsessores. Na Umbanda, o descarrego é uma das funções mais importantes para harmonizar o padrão vibracional.

É sabido que para a melhor eficácia dos tratamentos na Umbanda, se faz necessário além do afastamento dos espíritos obsessores, também a reforma íntima, onde a pessoa vai polindo as suas arestas negativas, as suas falhas no relacionamento com os seus semelhantes e, à medida que pratica o bem, vai melhorando seu estado de saúde. Porém essa reforma é lenta e gradativa, pois é um processo de aprendizagem pelas experimentações e vivências. Enquanto isso acontece é necessário ser feita a limpeza energética e harmonização das energias vitais.

O ritual de descarrego pode ser realizado de diferentes formas, sendo os mais comuns, os banhos de mar, cachoeira, ervas quentes ou sal grosso. Existe ainda o descarrego realizado pelas próprias entidades no consulente, são os chamados tratamentos desobsessivos, por meio de passes magnéticos e o uso de elementos como o álcool, a pólvora, o fogo e o pó de pemba.

Porque as energias ficam carregadas:

É preciso compreender as dimensões psíquicas, ou os níveis consciências do corpo. Todos os dias passamos por diversos ambientes, cruzamos com vários tipos de pessoas, projetamos formas pensamento com sentimentos ruins, sofremos a influência externa de espíritos e encarnados obsessores. Nessas relações nosso organismo pode absorver energias densas. A partir daí nos sentimos cansados, desanimados e até mesmo com dores físicas. Porém essas energias ficam impregnadas não somente no corpo físico (soma), mas nos corpos sutis ou como falamos, na aura perispiritual. Principalmente no Corpo Etérico atingindo sua vitalidade, ou no Corpo Astral atingindo o campo emocional, os instintos e a sensibilidade em geral. Nessas horas, para melhorar a nossa disposição, trazer de volta nossa vontade de viver e autoestima, é recomendado que façamos o descarrego, que acontece pelo esgotamento ou saturação dessas energias densas.

Quando é recomendado o esgotamento ou saturação das energias:

Cansaço, falta de vigor e concentração, desentendimentos rotineiros, dores de cabeça constantes podem ser sintomas de que a pessoa ou o ambiente esteja em desequilíbrio energético. Nesses casos o uso do sal grosso, por suas propriedades, seja na limpeza do ambiente ou dos corpos sutis é o tratamento mais recomendado. O sal grosso é um cristal muito eficaz que não apodrece e não se corrompe, tendo uma capacidade de absorção de energia surpreendente. Suas ondas energéticas podem ser medidas pela radiestesia. O sal grosso emite as mesmas vibrações que a onda violeta, tendo as mesmas capacidades de neutralizar as energias negativas.

COMO UTILIZAR O SAL GROSSO

  • Em banhos: primeiramente se faz o banho higiênico. Num segundo momento o banho com uma pequena porção de sal grosso com água morna. Despeje do pescoço para baixo. Importante destacar que o banho de sal grosso limpa todo o corpo, ou seja, além de eliminar as energias densas, ele também elimina as energias positivas. Portanto é necessário que se faça um segundo banho de harmonização em sequência para restaurar as energias. Podendo ser de alecrim, manjericão, alfazema ou louro por exemplo;
  • Em escalda-pés: a salmoura auxilia na neutralização de ondas eletromagnéticas do corpo;
  • Em saches: coloque uma trouxinha na cabeceira e outra nos pés da cama para proteger de pesadelos;
  • No ambiente: coloque um copo de água com uma colher de sal grosso em cada cômodo da casa. Trocar uma vez por semana ou quando começar a formar bolhas. Nos cantos é onde mais se concentram as energias densas. Pode-se jogar uma colher de sopa de sal grosso nas privadas e ralos para eliminar as energias negativas vinda dos encanamentos;
  • Em objetos: borrifar água com sal grosso em objetos não elétricos e eletrônicos é excelente para limpeza de energias impregnadas. Recomendado também para a limpeza de guias de contas não resistentes ao mergulho em água, como as feitas de lágrima de Nossa Senhora, sementes ou madeiras;
  • Em roupas: Por fim, podemos lavar as roupas e roupa de cama com água e sal grosso para descarregar as energias após as convalescências de pacientes adoentados.

Salve o Ponto

Salve Elas!

Refrão (bis):
Salve elas, salve elas
Salve elas, sim senhor
Pombo Gira ela te ajuda
Na alegria e na dor

Salve Dona Rosa Caveira
Duas faces ela herdou
Uma encanta seu coração
A outra espanta a sua dor
(Refrão)

Pombo Gira da Estrada
Mas cigana ela não é
Faz magia faz feitiço
Só ajuda a quem tem fé
(Refrão)

Salve Maria Padilha
Mulher forte e companheira
Ela é chefe de falange
E não é de brincadeira
(Refrão)

Vou saudar Dona Figueira
A Farrapo e a Molambo
Sete Saias, Maria Quitéria
Rosa Negra vi chegando
(Refrão)

Umas tiram seu feitiço
Outras curam sua dor
Quebram demandas
e abrem caminhos
E trabalham para o amor
(Refrão)

Compositora: Marluci Teodora Ferreira

Na Estante

Elas não são a maioria, mas são importantes autoras de Umbanda. Nesse universo masculino se destaca Eliana Pacco com sua série de livros intitulada “Umbanda, Muito Prazer!” que pretende tornar acessível o entendimento sobre a Umbanda, seus Guias, os tipos de incorporação, tudo em uma linguagem para leigos. Vale a pena conferir.

  • Livro 1 – Descomplicando os Guias de Umbanda
  • Livro 2 – Mediunidade na Umbanda
  • Livro 3 – Os Orixás na Umbanda
  • Livro 4 – O Ritual de Umbanda
  • Livro 5 – As Perguntas e Respostas da Umbanda

Neste Dia Internacional da Mulher, lembre-se que a melhor forma de homenagem é o seu amor e respeito.

Ilustração colorida de quatro perfis de mulheres negras com coroas e franjas de contas, envoltas em faixas coloridas

Expediente

ECOS DE ARUANDA é um informativo sem fins lucrativos do Templo Escola Pai João de Aruanda. O conteúdo não deve ser reproduzido sem prévia autorização. Não pode ser comercializado.

Expediente

Orientação Espiritual
Pai João de Aruanda / Maria Molambo
Direção / Pesquisa
José Adilson Dantas
Pesquisa / Revisão
Dilene Nunes
Jornalista Responsável / Projeto Gráfico
Gleison Cardozo - DRT DF-8266

Acessibilidade

Tamanho do texto
Tema