Ecos de AruandaNº 04

Ogum, o patrono da Umbanda

Em abril, as homenagens a Ogum, patrono da Umbanda: o guerreiro que abre os caminhos, o sincretismo com São Jorge, o que é demanda e o rito do sacudimento.

Leitura de 20 minutos

Ilustração de Ogum como guerreiro de armadura negra e prata, com saia e fitas vermelhas, fios de contas e uma espada verde em forma de folha de espada-de-são-jorge, sobre fundo salmão.

Editorial

Ogum é considerado o patrono da Umbanda, e no mês de abril rendemos todas as homenagens a esse Orixá tão popular não somente na Umbanda, como nos diversos Candomblés, na Santeria em Cuba e diversas outras crenças de matriz Africana.

Segundo o sociólogo Reginaldo Prandi: “Ogum é visto, por um lado, como um orixá guerreiro, sanguinário, cruel, instável, dominador e impaciente. Por outro, é aquele que abre os caminhos, mostra novas oportunidades, propicia a força necessária na disputa e dificuldades do dia a dia”. São essas facetas de Ogum que trazemos nessa edição de ECOS DE ARUANDA.

Trazer informação e conhecimento aos frequentadores da Casa de Pai João de Aruanda é muito gratificante. Nessa quarta edição reforçamos que Umbanda, nessa sociedade midiática e do conhecimento, não se pratica somente no interior dos terreiros, mais do que nunca se faz necessário essa comunicação entre todos.

Gratidão aos leitores e leitoras pelas críticas e sugestões enviadas. Qualquer questionamento sobre os assuntos tratados pode nos ser enviado por e-mail, estamos aqui juntamente com nossos Guias espirituais dispostos aos esclarecimentos à luz da Umbanda.

Boa leitura!

Jardim Sagrado

Sangue de Dragão

Diferente de algumas ervas onde utilizamos as folhas, raízes ou cascas, o sangue de dragão é na verdade uma resina vermelha retirada da árvore Croton lechleri. Utilizada por indígenas da região amazônica brasileira, peruana e colombiana como um eficiente cicatrizante.

Os principais componentes químicos do Sangue de Dragão são flavonóides, fenóis, esteróides e terpenóides. Que tornam a resina capaz de melhorar a cicatrização de feridas, estancar sangramentos, por sua capacidade de secar rapidamente formando uma barreira como uma segunda pele.

O sangue de Dragão é uma escolha popular para a pele que foi comprometida pela exposição ao sol, esfoliação em excesso ou, em geral, pele que precisa ter a inflamação acalmada.

Usada topicamente para combater o sangramento das gengivites e escaras (feridas comuns em convalescidos que passam muito tempo acamados).

A resina de Sangue de Dragão é bem espessa, não se dilui em outro óleo vegetal somente em gel, creme neutro ou álcool.

Porém, quando ingerida, se consumida em excesso, pode causar anemia, prisão de ventre e, em casos extremos, até cegueira. Como todas as ervas é preciso entender que mesmo utilizadas na medicina tradicional, podem ser tóxicas se não utilizadas corretamente.

Troncos de árvore cortados, com a resina vermelha do sangue de dragão escorrendo pela madeira.

Saudação

Dia 23 de abril é dia de saudar o guerreiro valente, que fortalece os seus devotos e os protege dos inimigos.

Ogum senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia é reverenciado como o patrono da Umbanda e vencedor de demandas.

Ogum orixá do fogo e forjador das armas e ferramentas é a representação do trabalho, da força necessária para as dificuldades do dia a dia. É aquele que nos dá os instrumentos materiais para a nossa sobrevivência, que garante nossa segurança e vence por nós nossas guerras.

Na mãe África Ogum é também protagonista de histórias de amor e traição entre os orixás, a ponto de ir a guerra por amor. “Era um dos orixás cultuados em todo o território iorubá. Praticamente em todas as cidades”. Esclarece Prandi em seu livro Ogum. “...foi cultuado nas sete aldeias que antigamente formavam a chamada cidade de Irê e que estavam sob seu governo.” Território que hoje compreende a Nigéria, e uma pequena parte, no Benim e no Togo.

Alexandre Cumino em seu livro Orixás de Umbanda acredita que o culto a Ogum seja tão antigo quanto a idade do ferro. “Ele está quando o homem aprende a manusear o ferro, isso é um elemento importantíssimo por isso nós devemos estudar cultura, porque nós não devemos perder esse tipo de informação”.

Ogum foi trazido ao Brasil por diversas nações originadas nas tradições iorubá (queto, alaqueto, egbá, ijexá, oió), na tradição fon (jeje, mahim, savalu, mina, jeje nagô) e os de tradição banta (Angola, Congo e Moçambique). Talvez por esse motivo Ogum foi tão cultuado não somente nos cultos de nação (Candomblés), mas no Batuque, Santeria, Tambor de Mina e evidentemente na caçula Umbanda.

Na Umbanda Ogum se apresenta por meio de Caboclos e sua linha representa o fator ordenador. “Ogum é uma individualização de Deus na qualidade da Lei, então Ogum é a Lei de Deus em ação. Ogum é nosso pai nesse quesito, nessa característica, Ogum é amparador!” explica Rubens Saraceni em seu livro Orixás Ancestrais.

Ogum é aplicador da Lei e é dele que vem a ordem e a força para que ela se estabeleça. Todos os planos da vida são amparados por uma Lei Maior. Essa lei que vem de Deus, dá sentido e equilíbrio para o caminho da evolução. É na Lei Maior que Ogum atua anulando tudo o que correr contra os processos de ordem do Divino Criador.

Diferentemente do Candomblé, na Umbanda Ogum não usa azul e branco, usa vermelho e branco e tem como principal simbologia um conjunto de dez utensílios feitos de ferro, sendo esses: lança, faca, facão, martelo, enxada, foice, ancinho, tesoura, tenaz e machado, todos presos a uma barra de ferro.

Suas oferendas votivas podem conter essas ferramentas, bigornas de ferro que representam a forja ou diversas outras peças de ferro como cravos ou pregos. Muito comum o uso do feijão preto e do famoso ouriço de Ogum, que trata-se de um Inhame espetado com palitos de dente, adornados com folhas de comigo ninguém pode, espadas de São Jorge, abre caminho ou vence demanda.

A bem da verdade é que, seja como Santo católico, como orixá dos Candomblés ou caboclos de Umbanda, essa força é muito respeitada e reverenciada no Brasil. Como diz a música cantada por Zeca Pagodinho: “Sim, vou na igreja festejar meu protetor. E agradecer por eu ser mais um vencedor. Nas lutas nas batalhas. Sim, vou no terreiro pra bater o meu tambor. Bato cabeça e firmo ponto, sim senhor. Eu canto pra Ogum”.

Ogunhê!

Como já abordamos em outras edições onde falamos do sincretismo dos orixás com os santos católicos, com Ogum não foi diferente. No porão dos navios negreiros vieram juntos com os negros seus santos. Não demorou muito para que houvesse um enfrentamento com os santos católicos, já que para os católicos tudo que existe no mundo é governado por Deus, tendo os santos o papel de intercessores, e nesse sentido o papel dos orixás não difere em essência do papel dos santos católicos. Assim os negros reconheceram nos santos católicos as qualidades de seus orixás e a isso se chamou sincretismo.

Segundo o sociólogo Reginaldo Prandi, “Uma vez que o culto dos orixás se desenvolveu de forma autônoma em cada região do país, o sincretismo com os santos católicos pode diferir de cidade para cidade, partindo-se dos mais diversos paralelismos possíveis, considerando-se sempre os santos católicos mais populares no local”. No caso específico de Ogum o sincretismo mais comum foi com o santo guerreiro São Jorge, com exceção do estado da Bahia que sincretizou o santo guerreiro com Oxossi, cabendo a Ogum a identidade com Santo Antônio.

Isso aconteceu na Bahia não por uma disputa entre a religiosidade negra e os católicos, mas por uma disputa de hegemonia dos portugueses contra diversas tentativas frustradas de invasão holandesa que ocorreu ainda no século XVII. Os holandeses eram luteranos e apresentavam risco não somente a soberania soteropolitana, mas a hegemonia da religião católica em todo o território nacional. Prandi relata que: “Conta-se que nessas oportunidades a Bahia teria sido protegida por Santo Antônio a partir da entrada da barra da baía de Todos os Santos... O santo foi um aguerrido pregador contra os inimigos do catolicismo, o guerreiro que teria protegido a Bahia da invasão protestante”.

Assim Ogum na Bahia foi sincretizado com Santo Antônio pelos seguidores dos Candomblés.

Para a Umbanda o mais comum é a representação do cavaleiro Jorge da Capadócia com vestimentas de legionário do exército romano, com armadura, elmo, espada e escudo. Montado em seu cavalo branco, portando na mão uma lança que atinge o dragão, que representa o demônio e o mal que quer nos destruir ou mesmo a perseguição do império romano aos cristãos convertidos. Conta a história que Jorge, nascido em 275, morava na Capadócia, hoje Turquia, e era um alto comandante do exército romano.

Após ver a crueldade com que o imperador tratava os cristãos, Jorge se rebelou. Foi preso e torturado, mas passou a ter cada vez mais fé nas palavras de Jesus Cristo. Morto pelo império romano, foi tornado santo. Embora sua principal glória esteja nesse fato histórico praticamente inconteste, o episódio mais conhecido de sua biografia é a vitória que ele alcançou sobre um “dragão”.

Difícil achar um Congá pelo país que não tenha pelo menos uma imagem do santo guerreiro montado em seu cavalo. Jorge representa o guerreiro Ogum com sua força nos Campos de Humaitá - lugar de nome indígena para onde os negros escravizados foram mandados a guerrear. Existem no sul do Amazonas aproximadamente 560 mil hectares de campos de cerrados, distribuídos principalmente, nos municípios de Humaitá, Lábrea e Canutama, localizados sobre a Planície Amazônica entre os rios Purus e Madeira.

Ogunhê!

Ilustração geométrica de São Jorge em armadura, montado num cavalo branco, atravessando com a lança um dragão vermelho.

Elementos Correspondentes

Cor
Vermelho
Elemento
Fogo
Dia da Semana
Terça-feira
Astro regente
Marte
Metal
Ferro
Domínios da Natureza
Campos, beira mar e rios.
Domínios da vida
A vontade, a coragem, a luta, o trabalho.
Pedras
Rubi, água marinha, granada, ágata vermelha.
Ervas
Espada e lanças de São Jorge, losna, comigo ninguém pode.
Flores
Crista de Galo, cravo vermelho, palmas vermelhas

Roda de Ancestralidade

Pai Joaquim de Aruanda

O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória

Trazer o olhar por meio das narrativas dos Pretos velhos e Pretas Velhas é um dos objetivos da Roda de Ancestralidade que acontece mensalmente no Templo Escola Pai João de Aruanda. A partir das lembranças dessas entidades de Umbanda entendemos a importância do repartir os conhecimentos de vida com cada pessoa que passa por nós. Aprendemos a relevância de, a partir do passado, refletir sobre o presente, proposta destes nossos antepassados, que nos ensinam com seus contos a enxergar a vida com mais humanidade e sabedoria, nos aproximando de nossas raízes. Vale destacar que os textos aqui publicados foram readequados a linguagem escrita, respeitando ao máximo as falas transmitidas pelo processo mediúnico da psicofonia.

Através de sua fala singela e metafórica, Pai Joaquim traz mais um ensinamento importante para a compreensão dos valores da vida.

"Hoje vou contar para vocês a história de Dona Catarina. Uma senhora muito distinta que se casou com um rapaz de família tradicional, tinha posses, e era estudada até no exterior meus filhos. Muito inteligente e apesar da família de tradição católica, Dona Catarina não tinha muita fé nessas coisas de religião, e dizia ser para quem não tinha informação ou a instrução que ela possuía.

A pobre Dona Catarina desde os seus 30 anos sofria com dores muito fortes no estômago, e isso fazia seu humor mudar todas às vezes que era acometida pelas dores. Cuspia marimbondo, como se diz, distratando a todos, brigava e tinha pensamentos animalescos meus filhos.

Certo dia vendo aquele sofrimento por muito tempo. Filó, moça de confiança que trabalhava na casa, e que frequentava um terreiro de Umbanda fez um convite a sua patroa. – Porque a senhora não vai a um terreiro. A senhora já foi a tantos médicos que não resolveram esse problema. Vamos lá, sei que lá a senhora vai vencer essas demandas.

Dona Catarina já havia ouvido falar de Umbanda, mas jamais frequentaria um local onde é praticado o baixo espiritismo, onde gente de toda categoria frequentava. Isso não é lugar para uma senhora tão distinta, pensou ela. Mas como tinha muito carinho por Filó resolveu um dia acompanhá-la ao Terreiro.

Quando chegou ao barracão meus filhos, tudo a incomodava. O cheiro do defumador, o barulho dos atabaques, o suor do povo que girava e cantava. Mas o que mais lhe incomodou foi o chão batido, pois tinha que ficar descalça. Esse velho já olhou de longe sorrindo e mentalizando todo o desconforto daquela senhora.

Quando ela se sentou na frente desse velho, eu logo lhe disse – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, e para sempre seja louvado. Como esse humilde preto velho pode ajudar uma senhora tão distinta? Ela olhou bem no meu rosto, desviou-se um pouco das baforadas do meu cachimbo e foi logo diagnosticando seu problema.

– Olha! Eu vim aqui porque Filó minha empregada disse que estou com demanda. Quanto o senhor quer para tirar esses feitiços e essas dores que sinto no estômago, pois nenhum médico descobre o que é?

Esse velho conversou bastante com aquela senhora até acalmá-la, e fizesse com que ela compreendesse como funciona as curas na Umbanda. – Minha filha, feitiço ou trabalho feito esse velho não viu nenhum. As demandas que aí existem, podem ser tratadas quando a senhora parar com os julgamentos e for mais caridosa. Quanto a essas dores no estômago, essa é uma doença grave, você vai pegar uma batata, vai batê-la e beber o suco em jejum toda manhã. Quanto a minha paga minha filha, a senhora entrega esse dinheiro ao seu motorista, pois sua esposa é acometida por um grave câncer e irá precisar muito mais dessa ajuda que eu. Que o mestre Jesus possa abençoá-la!

Por essas palavras ela não esperava. Levantou-se e saiu com Filó, e em seus pensamentos dizia. – Eu não acredito que fiz isso, acreditando que aqui eu poderia ser curada. Ainda me vem esse velho com essa história sem sentido, de suco de batatas.

O tempo foi passando e nada de Dona Catarina mudar suas ações. Dez anos se passaram e as dores ficaram mais fortes. Uma amiga que frequentava um Centro Kardecista vendo o seu sofrimento lhe convidou a passar na sala de cura, pois lá havia um rapaz que recebia um espírito que se identificava por Dr. Joaquim, que havia realizado muitas curas. Dona Catarina muito cética, ainda duvidando da fé resolveu ir com a amiga.

Lá escutou a palestra pública e ficou muito interessada. Ali ninguém pisava descalço no chão bem lustrado. Não tinha o cheiro da fumaça, o som dos atabaques e sentou-se bem acomodada. Quando adentrou a sala de cura, Dr. Joaquim serenamente lhe falou. – A filha está muito adoentada, deveria ter tomado o suco de batatas.

Surpresa com aquela fala Dona Catarina lhe indagou. – Doutor como o senhor sabe dessa história tão antiga? – Até hoje minha filha, ainda vou àquela humilde casa. Lá sou Pai Joaquim, sou eu minha filha, aqui em outra roupagem. Fui eu quem que lhe atendeu e lhe recomendou o tratamento. Que a senhora deveria ter seguido a época, pois sua gastrite não teria se tornado essa úlcera gástrica tão grave. Muitas vezes minha filha, somos nós que criamos as demandas, por não ter humildade e pelo julgamento ao próximo. A filha nesse período todo sempre emanou pensamentos desnecessários, e toda essa energia de raiva foi absorvida pelo próprio estômago. O que hoje sangra lhe foi alertado por esse velho naquele casuá. Porém, hoje ainda é possível a cura, mudando seu comportamento. Quando pedi a filha que fosse mais caridosa, lhe pedia apenas que tivesse mais autoamor e fosse mais caridosa consigo, não maltratando tanto seu estômago com essas atitudes desnecessárias. Aquele tempo eu já sabia que não havia feitiço, porém, a própria filha se demandava. Como minha filha escutou hoje na palestra pública aí fora! O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.

- Pensem sempre nisso meus filhos, pois demandas piores que as provocadas por influências externas, são aquelas provocadas pela própria pessoa. Pois nós temos pontos fracos e é exatamente aí que somos atingidos. Infelizmente a história de Dona Catarina se repete todos os dias nas casas de Umbanda.

Mucoiu Nzambi! - (Que Deus te abençoe!)

Umbanda tem Fundamento

Afinal o que é Demanda?

O mais famoso ponto de Ogum diz:

“Se meu Pai é Ogum, vencedor de demandas / Ele vem de Aruanda pra salvar filhos de Umbanda...”

Podemos afirmar que Demanda é o nome que se dá a uma irradiação energética densa, que pode ser fruto de vibrações negativas de pessoas ou espíritos tomados por sentimentos ruins de baixa vibração, como a raiva e a inveja. Alimentados por mágoas que ocupam corações e mentes. Em resumo, Demanda nada mais é do que um ataque espiritual que pode ser direcionado a uma pessoa ou a um grupo.

Aqui é preciso fazer uma ressalva, esclarecendo que nem tudo que nos acontece é oriundo de feitiçaria, bruxaria, influência de obsessores, magia negativa etc. Muitas experiências que passamos é para nosso crescimento espiritual. É algo de nosso merecimento, de nosso “destino cármico” e que pedimos no planejamento encarnatório para experienciar durante essa vida. O Planeta Terra é um grande pronto socorro, um mundo escola. Nele habitam indivíduos que buscam a evolução moral e intelectual em um planeta de expiação e provas. Ressaltando que o universo não abençoa nem pune ninguém, mas utiliza desse mecanismo, pois o espírito não está apto a compreender o que lhe seria mais útil para o seu progresso e purificação.

Feita essa ressalva, podemos agora classificar os tipos e os motivos do surgimento de demandas:

A mais comum é a chamada demanda mental realizada por encarnados a outros encarnados por meio do direcionamento de pensamentos desagregadores. Estes são movidos pela inveja, desavenças, desentendimentos e discordância de ideias ou mágoas não curadas.

Outro tipo de demanda ocorre pela manipulação de magia negativa, ou seja, os conhecidos “trabalhos feitos”, despachos e ebós com intenção de atingir aqueles que são considerados inimigos.

Apesar da motivação partir de um encarnado, são espíritos não evoluídos e quiumbas (espíritos trevosos), vampiros de energia, que passam a obsediar os encarnados. Podendo essas magias ter efeito latente mesmo quando executadas em tempos remotos (arquipadia).

Ainda podemos contar com as demandas oriundas de débitos do passado, ou seja, de faltas cometidas em outras encarnações, que por falta de esclarecimento de sua evolução, espíritos cobradores movidos pelo ódio podem lhe atormentar.

Compreenda que no universo tudo é cíclico, somos responsáveis por nossas ações e muita das vezes fomos algozes e não vítimas, e essas curas são feitas por meio do perdão e reparação dos erros cometidos no passado.

Importante compreendermos que todo demandado é atingido em seu ponto fraco, onde ele abriu a guarda para o ataque. Se a pessoa estiver resguardada, se estiver com a sua guarda fechada, dificilmente será alvo deste ataque podendo no máximo sentir um leve mal-estar que será passageiro. Acontecimentos podem te desequilibrar no seu dia a dia, mas se estiver vigilante não permitirá que sentimentos ruins te deixem vulnerável aos ataques. Se toda ação provoca uma reação, a sua forma de reagir a vida e aos acontecimentos podem alterá-la a todo instante. É o orai e vigiai tão exigido de todos nós, e como falamos na Umbanda, mantenha suas firmezas em dia.

Ilustração em preto e branco de uma figura clara caminhando por um corredor iluminado, cercada dos dois lados por muitas mãos escuras que tentam alcançá-la.

Sua evolução moral e espiritual precisa o tempo inteiro de ajustes para que aconteça com equilíbrio. Nós somos os responsáveis pelo que atraímos para a nossa vida. Lembre-se, a demanda enviada a uma pessoa nem sempre poderá atingir o seu alvo, mas a Lei do Retorno atingirá a pessoa que enviou a demanda. A semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória.

Ogum te livra de demandas, mas jamais te livra de você mesmo. A libertação é sua. Se você não encontra tempo para sua evolução vai se tornar solo fértil para os desequilíbrios, sejam eles morais, espirituais ou físicos.

Sala de Cura

O que é o Sacudimento:

Sacudimento na Umbanda é o nome dado ao rito de limpeza espiritual para obsessões complexas ou subjugação espiritual. Normalmente esses ritos são feitos para pessoas que estão sofrendo por prejudicial interferência de espíritos obsessores. A influência é tão forte sobre a mente da pessoa, que esta não mais raciocina nem age por si mesma. Pessoas que sofrem com as doenças físicas, espirituais ou psíquicas em consequência dessas energias densas. Em outras palavras é um descarrego forte, pelo fato de manipular as vibrações e energias que estão exercendo influência na vida da pessoa e, em simultâneo, é uma reorganização energética muito funcional para reabilitação.

É preciso entender que nem toda perturbação emocional tem origem espiritual, sendo sempre importante a averiguação das origens da mesma. Ao mesmo tempo, é preciso compreender que a causa de diversos distúrbios psíquicos (transtornos mentais e de comportamento) são fruto de obsessões complexas. Por isso é preciso discernimento e responsabilidade. Não é recomendado fazer o sacudimento sem uma verdadeira causa.

Quando é recomendado esse tratamento:

O sacudimento é recomendado quando as entidades identificam os processos de subjugação e influência de espíritos movidos pelo ódio ou vingança. Caracterizados por uma perda transitória da consciência, e de sua própria identidade, havendo estados de transe involuntário e não desejados.

Quando é identificado rompimento grave ou interferência na Tela Búdica do indivíduo (tela de proteção espiritual entre o corpo físico e o corpo emocional que tem o objetivo de filtrar e proteger esses corpos dos infortúnios astrais).

Quando a pessoa está sofrendo influências energéticas de goécias (feitiçarias) ou arquipadias (magia antiga realizada em outra encarnação, mas que continua ativa ainda atualmente).

Como é realizado o sacudimento

Lembramos que o sacudimento é realizado para o tratamento das causas, quando identificada a obsessão complexa, é feita a quebra do círculo vicioso de ódio entre obsessor e obsediado, promovendo melhor compreensão da relação entre eles pelo esclarecimento da Lei de causas e efeitos. E paralelamente a isso o tratamento dos efeitos, esclarecendo a pessoa da necessidade de uma ação efetiva em busca do autoaprimoramento e evolução moral. Após sua realização deve a pessoa se afastar dos pensamentos e atitudes negativas, sentimentos de raiva, ódio, ressentimentos, mágoas acumuladas, e vícios.

Esses rituais são realizados, colocando o consulente em um círculo de pemba, (campo de força magnético), passando os elementos recomendados pelo corpo da pessoa, (ervas como quebra demanda, folhas de mamona ou de mangueira) e batendo esses ramos no chão para que haja uma transferência energética entre o corpo físico/espiritual e os elementos utilizados, proporcionando o realinhamento energético, desagregando do caminho daqueles que passam pelo sacudimento, a conexão e/ou interferência de espíritos menos esclarecidos.

Quando as energias estão muito impregnadas no campo energético é comum o uso de flores, álcool, velas e da pólvora para dessagrar as moléculas pelo processo de explosão e queima de energias remanescentes de magias.

Sacudimento é coisa séria, deve ser realizado por médiuns que possuem esse conhecimento, sempre auxiliados por entidades de proteção e em ambientes seguros em terreiros, podendo ser feito em outros campos energéticos na natureza como: cachoeiras, praias, matas, cemitérios ou cruzeiros. Observando o bom senso com relação à preservação ambiental e ao término da ritualística, sempre limpar e recolher os resíduos produzidos.

Salve o Ponto

Ogum

Areia branca areia
Que meu pai Ogum te proteja
Ogum Ónirê
Te proteja

Na força do sabre
Ele abre os caminhos
Quem tem pai Ogum
Não anda sozinho

Cavaleiro da lua
Na fé verdadeira
Conduz à vitória
Do povo d' ilê irê

Ògum Ónirê
Ónirê Ògum
Akorô Ónirê
Obá de Orun

Compositores: Serena Assupção, Gustavo Souza, Tatá Aeroplano, Tulipa Ruiz

Oração

Ogum, meu Pai vencedor de demanda,
Poderoso guardião das Leis,
Chamá-lo de Pai é honra, esperança, é vida.
Vós sois meu aliado no combate às minhas inferioridades.

Ogum, irmão, amigo e companheiro,
Continuai em Vossa ronda e na perseguição aos defeitos que nos assaltam a cada instante.

Ogum, glorioso Orixá, reinai com Vossa falange
de milhões de guerreiros vermelhos e
mostrai por piedade o bom caminho
para o nosso coração, consciência e espírito.

Ogum, Senhor da noite e do dia
Despedaçai os monstros que habitam nosso ser,
livrai-nos da tentação e apontai o caminho
do nosso Eu.
Serei vencedor contigo.

Ogunhê! Patacori Ogum

Na Estante

Capa do livro “Ogum”, de Reginaldo Prandi, da coleção Orixás, em azul e verde, com a ilustração de uma espada.

Ogum: caçador, agricultor, ferreiro, trabalhador, guerreiro e rei

Título
Ogum: caçador, agricultor, ferreiro, trabalhador, guerreiro e rei
Autor
Reginaldo Prandi
Editora
Pallas
Corrente
Universalista

Reginaldo Prandi é professor titular de Sociologia da USP e escreveu vários livros sobre cultura e religião afro-brasileira. É um autor muito citado e respeitado nos trabalhos acadêmicos. Autor de vários livros, em Ogum, Reginaldo apresenta esse Orixá de maneira bem didática. O livro traz uma visão de Ogum no Candomblé, Santeria, Tambor de Mina, Batuque e Umbanda. Com conteúdo de pesquisa bem aprofundado sobre os mitos, trabalhos, oferendas e cantos de Ogum.

Expediente

ECOS DE ARUANDA é um informativo sem fins lucrativos do Templo Escola Pai João de Aruanda. O conteúdo não deve ser reproduzido sem prévia autorização. Não pode ser comercializado.

Expediente

Orientação Espiritual
Pai João de Aruanda
Direção / Pesquisa
José Adilson Dantas
Pesquisa / Revisão
Dilene Nunes
Jornalista Responsável / Projeto Gráfico
Gleison Cardozo - DRT DF-8266

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