Ecos de AruandaNº 06

Exús de Umbanda, guardiões que transitam nas sombras

Em junho, os Exús de Umbanda: guardiões incompreendidos, o sincretismo com Santo Antônio, o Contra Egun e os minerais de banimento. Laroyê Exú! Exú Mojubá!

Leitura de 23 minutos

Duas fotografias de um homem negro de chapéu marrom de abas largas e manto de camurça, fumando um cigarro sobre fundo escuro.

Editorial

Ao longo da História, o conceito de esquerda/esquerdo foi de exclusão e incompreensão. Pessoas canhotas eram vistas sob suspeitas aos olhos do clero e da população na Idade Média. Em francês esquerdo é “gauche”, que também significa atrapalhado, destoante. Em italiano, esquerdo é “sinistro”, o que nos lembra algo obscuro. O escritor alemão Goethe dizia que “ser incompreendido é o destino de muitos de nós”.

Exús talvez sejam as entidades mais incompreendidas por aqueles que desejam vilipendiar a Umbanda. A histórica associação com o diabo judaico-cristão feita por colonizadores europeus em terras africanas, ainda nos séculos XVI e XVII, surte efeitos até os dias atuais. Afinal uma mentira repetida diversas vezes é tomada por muitos como verdade.

Esta edição de junho foi feita com muito rigor para falarmos dos Exús de Umbanda, e desmitificarmos conceitos deturpados sobre essas entidades que atuam no campo da esquerda. Guardiões que exercem papel importantíssimo nos terreiros e no plano espiritual, nos processos de evolução moral da humanidade.

Ecos de Aruanda mais uma vez convida seus leitores e leitoras a conhecerem um pouco mais sobre esses seres iluminados que transitam nas sombras, no resgate daqueles que estão em erraticidade. Mais uma vez agradecemos por todas as críticas e sugestões recebidas para a construção deste informativo.

Jardim Sagrado

Se existe um consenso sobre ervas sagradas entre os mais antigos nos terreiros, é de que a Mamona (Ricinus communis L.) que tem a origem do nome no termo quimbundo “mumono”, com influência da palavra "mamão", muito provavelmente devido à semelhança das folhas, é uma planta de Exú. Assim foi aprendido e repassado na tradição oral.

As lendas (itans) contadas pelos velhos Griots, mananciais de conhecimento e sabedoria ambulantes, trazem que: "Exú come na terra...", mas que fique claro, isso não é literal. Assim como esse sagrado Orixá não tem mil bocas. “Mas absorve e anula na terra, elemento base, e com suas mil bocas em todas as dimensões, conhecidas ou não, engole no seu vazio tudo o que não deve ter lugar na criação”. Por definição de estudo, o Mistério Exú engole nos seus domínios do vazio tudo o que é preciso ser engolido.

É nesse sentido que se oferenda Exú em agradecimento, ou pedido de algo que se precise, forrando a base da sua oferenda, seja num alguidar de barro ou diretamente na terra com um “prato para arriar” de folhas de Mamona.

Mamona, essa poderosa erva quente (agressiva) se tornou um elemento manipulado por Exú, que precisa desse elemento para atuar com seu mistério na dimensão humana, de forma criadora, sustentadora e mantenedora. Planta abundante em todo o Brasil, muito fácil de ser achada, em beiras de estrada inclusive, é uma poderosa erva, capaz de esgotar processos infecciosos provenientes do astral negativo e de energias enfermiças, que possivelmente estejam minando a saúde de suas vítimas.

Verde ou Roxa, sua potência limpadora é ímpar! Limpa em profundidade, cura e combate as forças negativas voltadas contra a pessoa.

Também pode ser usada em banhos e defumações e de outras formas como "cama de mamona": durante uma hora no máximo, forrando uma esteira ou cama com suas folhas, cobrindo com um lençol branco, e deitando-se a pessoa a ser tratada sobre esse lençol.

Mamona é uma erva imantadora, esgotadora por vocação, e nos ajuda a vencer os desafios cármicos facilitando sua assimilação.

Mamona roxa: frutos vermelhos cobertos de espinhos macios ao lado de uma folha arroxeada em forma de estrela.

Saudação

O desconhecimento dos processos de evolução espiritual da humanidade, juntamente com a carga de preconceito historicamente construído no ambiente interno e externo a Umbanda alimentou um conceito deturpado sobre o trabalho de Exús, entidades do campo da Esquerda. A definição de Exú que consta no livro Exú e a Ordem do Universo, de autoria de Sikirù Sàlámi e Ronilda Iyakemi Ribeiro nos diz que “Exú é personagem controversa, talvez a mais controversa de todas as divindades do panteão iorubá. Alguns o consideram exclusivamente mau, outros o consideram capaz de atos benéficos e maléficos e outros, ainda, enfatizam seus traços de benevolência. […] As muitas faces da natureza de Exú acham-se apresentadas nos odus e em outras formas de narrativa oral iorubá: sua competência como estrategista, sua inclinação para o lúdico, sua fidelidade à palavra e à verdade, seu bom senso e ponderação, que propiciam sensatez e discernimento para julgar com justiça e sabedoria. Essas qualidades o tornam interessante e atraente para alguns e indesejável para outros.”

Como nos esclarece o espírito Ângelo Inácio “Luz e sombra são aspectos internos do ser e não representam necessariamente um lado ruim e outro bom”. Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que precisam de compreensão e ajuda. Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual. Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de procurar orientação. Não diferem de nós, mas tão semelhantes, que vivem lado a lado conosco diariamente, observando nossos atos, analisando nossos pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas atitudes.

O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo, e não podemos renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de nossos pensamentos mais densos. Exús além de retirar espíritos dessa sintonia, prestam um grande serviço à própria humanidade terrena, na medida em que recuperam muitos obsessores e assediadores que lá vivem e se ocupam de perseguir espíritos encarnados. É por isso que o trabalho de Exú é voltado para o plano material e as zonas subcrostais, onde combatem e impedem que entidades ainda presas às correntes do ódio e do rancor se infiltrem nos locais que não lhes dizem respeito.

Exús conhecem a mentalidade e o modo de agir destes seres, são profundos conhecedores da manipulação de energias, e trabalham na reabilitação destas outras almas ainda endividadas por séculos de embrutecimento espiritual e na evolução dos seres encarnados.

Toda a nossa estrutura é formada pelas qualidades primitivas da natureza que estão em pleno funcionamento em nós. Constituindo também nossa forma de ser, de pensar, de agir e de sentir. Todas as coisas que existem no Universo têm dois lados, dois aspectos, dois polos opostos com muitos graus de diferença entre os dois extremos. Esse princípio nos diz primeiramente que tudo tem dois lados, que nada neste Universo é absoluto e podemos através da prática transformar coisas que possuem a mesma natureza em seus opostos, sendo esses complementares. Todos os opostos podem ser reconciliados através do uso consciente da mudança de vibrações.

Nesse plano de existência não existe nada que seja totalmente bom ou totalmente ruim, tudo é relativo, em tudo existe o bom, o ruim, o bem, o mal. A diferença está apenas nos graus da escala. O amor e o ódio, por exemplo, são sentimentos da mesma natureza, no entanto, são opostos complementares. Há graus de amor e graus de ódio; não existe amor e ódio absolutos, ambos são apenas dois polos da mesma coisa.

Com as interpretações mais controversas que se pode imaginar, Exú (Esú), Orixá das comunicações foi incompreendido desde os primeiros colonizadores europeus que invadiram a África. A deturpação desse Deus do Panteão Africano permitiu no mundo ocidental a difusão da ideia de que era uma entidade malévola ou mesmo demoníaca. Para os povos Iorubás Exú é o intermediário necessário entre o homem e o sobrenatural, o elo de comunicação entre os dois planos. O orixá autônomo e independente, o guardião das casas, o senhor do Axé. Na concepção dos africanos esse orixá era irreverente, sensual e provocador; na prática, o mais humano dos orixás.

Exús, entidades de Umbanda, inteligentes e bem preparados usam de todos os recursos disponíveis no combate incessante ao mal, seja qual for a forma sob a qual ele se apresente. Usam, inclusive, a imagem distorcida que foi criada pelo inconsciente coletivo para aplicar nesse combate. Defensores incansáveis do bem, que se organizam em legiões fazendo incessante combate às forças umbralinas. São conhecidos como guardiões, pois fazem a proteção física e astral do ambiente e são os agentes da lei e da ordem universal para a evolução espiritual dos seres e reparação de suas faltas. Para Exú um ser humano completo e íntegro cultiva virtudes como paciência, justiça, organização, disciplina e compaixão. Não cabe mais o questionamento sobre seu trabalho, são entidades a serviço do bem maior. Estão nos terreiros fazendo a guarda e proteção, esclarecendo e abrindo os caminhos para evolução moral e espiritual de todos. Como diz a tradução de sua saudação, "Mensageiro Exú! Meus respeitos!"

Laroyê Exú! Exú Mojubá!

Figura encapuzada envolta em manto negro, com o rosto oculto na sombra, segurando um cajado de metal numa floresta enevoada.

Elementos Correspondentes

Cor
Preto e Vermelho.
Elemento
Terra.
Dia da Semana
Segunda-feira.
Astro regente
Saturno.
Domínios da vida
Reajustes cármicos.
Pedras
Ônix, turmalina negra, hematita negra, ágata negra
Ervas
Carrapicho, mamona, abre caminho, quebra demanda, pimenta.
Flores
Rosas-vermelhas, cravos vermelhos.
Elementos ritualísticos
Charuto, Marafo (Álcool), Dendê, Pólvora

Porque Exú é sincretizado com Santo Antônio na Umbanda

Imagem de Santo Antônio em hábito franciscano marrom, segurando o Menino Jesus sobre um livro e um ramo de lírios brancos.

“Santo Antônio de Batalha, Faz de mim batalhador (bis), corre e gira Pombagira, Tranca Rua e Marabô (bis).” Diz a letra de tão conhecido ponto de Exú.

O mês de junho é tradicionalmente lembrado pelas festas populares de Santo Antônio, São João e São Pedro. No país inteiro, mesmo as pessoas não católicas costumam frequentar esses festejos tão tradicionais.

Exú é homenageado no dia 13 de junho, mesmo dia do santo católico, que é também responsável pelas ligações amorosas, ligações dotadas de intensa sensibilidade humana, que Exú compreende muito bem.

O Frei franciscano Antônio tinha grande cultura, documentada pela coletânea de sermões escritos que deixou, onde fica evidente que estava familiarizado tanto com a literatura religiosa como com diversos aspetos das ciências, referenciando-se em autoridades clássicas como Plínio, Cícero, Sêneca, Boécio, Galeno e Aristóteles, entre muitas outras referências que encontramos em seus sermões. Frei Antônio desenvolveu diversas faculdades mediúnicas, dentre elas teria a rara mediunidade da xenoglossia, ou seja, falava e escrevia em todas as línguas. Tem relações estreitas com Exú devido ao dom da oratória que Exú comanda, Exú é o Orixá da comunicação, aquele que liga o material ao espiritual.

Outra mediunidade rara que Frei Antônio possuía é a bicorporeidade, ou seja, a capacidade de estar em dois lugares distintos ao mesmo tempo, Isolado do corpo. Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição do espírito toma forma tangível e todas as aparências da realidade. Foi por essa mediunidade que o Frei Antônio se destacou na Defesa do próprio pai.

Um homem foi morto em um assalto, próximo à casa do senhor Martinho de Bulhões, seu pai. Os assassinos enterraram o corpo da vítima no quintal de Martinho, sem ele ficar sabendo. Passados alguns dias o corpo foi descoberto em seu terreno pela Justiça do local, e ele foi acusado pelo crime. Não tendo como se defender das acusações, tal eram as evidências de sua culpa, dado a forma como foi encontrado o corpo, ficou vários dias preso e, finalmente, estava sendo julgado e com toda certeza seria condenado à morte pela forca.

Frei Antônio foi avisado do fato por seu anjo guardião. Logo após tomar conhecimento do apuro em que se encontrava seu progenitor, o Frei foi sem demoras pedir ao superior do convento que o deixasse sair de Pádua por um curto período.

Tendo recebido a dita autorização, num instante, de modo miraculoso se encontrava em Lisboa, (pelo fenômeno da bicorporeidade), indo diretamente ao tribunal, onde tomou a defesa de seu inocente e querido pai. Os juízes ficaram perplexos com a aparição de tão nobre e inusitado advogado e com a segurança com que ele falava, mas não foi o suficiente para se convencerem da inocência do pobre réu, tantas eram as provas que tinham de que o crime era de sua autoria.

Como faltassem testemunhas a favor do pai, seu Guardião propôs ao Frei interrogar a vítima que, como se devem lembrar estava morta há muitos dias. Os juízes e demais assistentes, surpresos com a ideia, se puseram a ridicularizar Frei Antônio. Apesar de tudo, manteve-se firme com a proposta, e as autoridades movidas pela curiosidade aceitaram ir até à sepultura do morto para interrogá-lo… Chegando ao cemitério, santo Antônio mandou que abrissem a tumba e o caixão da vítima. Feito isso o santo deu a seguinte ordem:

“Pelo Deus que te criou te ordeno: diga se foi este homem que acusam o causador de sua morte.”

No mesmo instante o morto por materialização espiritual tal qual um vivo disse: “Martinho de Bulhões é inocente de meu sangue.” Tendo pronunciado a defesa do réu, permanecendo morto como estava.

Os juízes tomados de medo e admiração pela cena que acabavam de presenciar, decretaram inocente o pai de Frei Antônio e o deixaram partir para sua casa imediatamente. Frei Antônio, após ter salvo a vida do pai, voltou de forma igualmente miraculosa para seu convento, onde continuou cumprindo seus deveres de religioso o restante do dia, como se nada tivesse acontecido. Magnífico exemplo de santidade e humildade.

Exús são espíritos executores da lei. Não permitem as injustiças, são os guardiões que executam nossa defesa. Foram sincretizados com o santo católico por sua inteligência e capacidade de comunicação e o extremo senso de justiça. Exú entende como ninguém o princípio da reciprocidade, em sua sensibilidade humana é capaz de ser grato e amigo fiel.

Laroyê Exú! Exú Mojubá!

Roda de Ancestralidade

Pai Joaquim de Aruanda

Você não está aqui para ser aplaudido

As narrativas contadas por Pretos e Pretas Velhas do Templo Escola Pai João de Aruanda contam suas experiências nos terreiros. Vale destacar que os textos aqui publicados foram readequados a linguagem escrita, respeitando ao máximo as falas transmitidas pelo processo mediúnico da psicofonia.

“Esse velho gosta dessa roda de ancestralidade porque eu tenho a oportunidade de ver o sentimento que transpassa cada um dos meus filhos ao nos escutar. Esse velho trabalha em diversas casas. Nosso descanso é diferente do descanso físico que os filhos precisam. E foi em um desses terreiros que aconteceu o que vou narrar para vocês hoje.

- Em uma das casas que esse velho trabalha existia um médium muito bom, desses sempre dispostos ao trabalho, e que todos diziam que nasceu para a Umbanda. Pensava ele que tinha realmente encontrado seu caminho religioso. Mas infelizmente acreditava que na Umbanda tudo o que alguém precisa saber é incorporar, que o resto os guias fazem. Portanto, não precisa se preocupar em buscar compreender o universo simbólico e profundo que existe nessa religião. Se o médium não interferir, pode deixar que as entidades fazem todo o necessário. Assim ele seguia seu trabalho, chegava ao terreiro e incorporava as entidades, cumpria com rigor suas atividades e voltava para casa com a sensação de dever cumprido.

Anos se passaram, ele trabalhava feliz e se sentia realizado na corrente, até o dia em que foi convidado a participar de uma festa em família. Ao chegar, reencontrou seus primos e velhos amigos de infância. Após recordarem lembranças boas, logo surgiu um assunto delicado, e lhe perguntaram se praticava alguma religião.

Ele não se fez de rogado, e foi logo dizendo ser umbandista, que trabalhava em um terreiro e que estava feliz da vida. Diante do espanto de alguns e, já em um tom diferente, vieram logo as perguntas inquisitórias e as afirmações. Como você foi mexer logo com macumba? E esses espíritos de demônios? Isso não é de Deus!

Vocês estão errados, só se pratica o bem no meu terreiro. Eu recebo bons conselhos para a vida, falou ele em resposta. Lá ao fundo um deles gritou. São assim que agem, te iludindo no início para você acreditar neles, e depois te levar para o inferno. Está escrito na Bíblia, Deus não precisa de intermediários. E esses espíritos Exús quando vão à igreja, logo confessam quando cai a máscara que estão ali para atrapalhar a vida das pessoas. A inquisição continuou por um bom tempo, e o filho encurralado sem respostas foi ficando cada vez mais constrangido.

Estamos muito preocupados com você. Como você explica a criação do mundo? De onde viemos? Para onde vamos? E assim, seguiram bombardeando o pobre coitado que envergonhado e humilhado tentava se esquivar do assunto por não ter respostas. Ele foi embora para casa chateado, mas lhe bateu uma incerteza. E antes de dormir ficou pensando no ocorrido. Aquilo o incomodou demais, e considerou que seus amigos realmente poderiam estar corretos. Será que a religião a qual escolhera lhe dava as respostas que eles queriam?

Ilustração em preto e branco de um rosto de olhos arregalados e expressão aflita, com as mãos junto à boca e silhuetas de pessoas ao fundo.

Mesmo assim meus filhos, após aquele episódio o filho continuou a frequentar o terreiro, mas já não tinha a mesma paixão e alegria. Chegava, incorporava suas entidades, fazia o atendimento, se levantava e partia. Já não era a mesma coisa, aquilo já não o preenchia. Foi aí que observando aquele fato no terreiro lhe chamei para conversar.

Filho, esse velho o quer alertar sobre uma coisa. Parece que aquilo que fala ao coração do meu filho não corresponde a razão. Cedo ou tarde filho, a razão questiona as escolhas que o coração fez. Essas respostas a Umbanda poderá lhe dar, se você acreditar que as entidades nunca irão te abandonar. Porém, essas entidades jamais irão fazer pelo meu filho aquilo que ele tem que fazer com as próprias mãos para realizar.

Meu filho precisa entender que sua religião tem fundamentos. Não pode ser umbandista apenas porque gosta do ambiente do terreiro, mas, porque sua prática e filosofia traz as respostas racionais sobre sua existência nesse plano. Se meu filho estudar umbanda vai ter a resposta de onde viemos e para aonde vamos, quem são esses espíritos intermediários do amor de Deus. Inclusive a resposta ao maior desafio da experiência humana. Por que estou aqui nesse plano? Qual o sentido de sair de onde eu vim e para onde um dia irei voltar?

Filhos, se você não conhece sua religião corre o risco de perder sua religiosidade. Nós temos que conhecer a fundo tudo aquilo que nós nos propomos praticar. Naquela festa ninguém perguntou ao meu filho se ele era feliz na sua religião. Você foi chamado para servir a Umbanda dia e noite, e nada vai te impedir de servir, pois, esse é o teu compromisso. Você muitas vezes vai precisar esconder as próprias lágrimas e aprender a ter doces palavras, mesmo para aqueles que querem te humilhar.

Você terá momentos de alegria, e de grande solidão, por vezes irá te sentir fraco e desamparado, mas será apenas um sentimento seu. Porque jamais será abandonado.

Você vai questionar sua própria fé e se existe mesmo mentores com você. Principalmente em momentos de injúria daqueles que passarem pelo seu caminho. Só não esqueça de que médium é aquele que está aqui para servir a caridade, pois não foi chamado para ser aplaudido, mas para dar o melhor de si em prol do outro sem receber nada em troca.

Aprendendo os fundamentos que fazem da Umbanda uma religião, meu filho terá as respostas que o racional tanto exige. Meu filho precisa quebrar as amarras de ficar esperando que seu guia faça tudo sozinho. Aprender que umbanda pode te dar respostas que outra religião ainda não está preparada para compreender. Que meu filho está na umbanda em resposta ao seu pedido de evolução espiritual! Porque aqui filho você aprende não somente a cuidar do outro, mas primeiramente a se cuidar. Assim meus filhos, vocês estão aqui não para ser aplaudidos, mas para buscar a evolução espiritual que todos pediram, e agora têm a oportunidade de trabalhar.

Esse velho toma como exemplo o Cristo que sofreu com todas as injúrias que vocês podem imaginar, mas jamais levantou a voz para agredir quem quer que seja, pelo desconhecimento do que ele queria executar. Muitos conviveram com ele e tiveram a oportunidade de mudar, estariam mais longe que esse preto velho. Quem me dera que eu estivesse lá. Não souberam aprender com esse mestre e vão ter que reencarnar, reencarnar, reencarnar... Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Umbanda tem Fundamento

O Contra Egun na Umbanda

Sabemos que a Umbanda é uma religião que absorveu fundamentos de diversas matrizes, dentre esses alguns preceitos dos candomblés banto, fon e iorubá, porém com adaptações a sua crença e ritualística própria, muita das vezes ganhando interpretações diferenciadas dos cultos de Nação.

O Contra Egun é um dos fundamentos que tem sua utilização de forma bem diferenciada. É um elemento ritualístico confeccionado a partir do trançado da palha da costa e búzios. Este na maioria dos casos fica amarrado nos braços do iniciado para que através dele e do teor que nele está depositado os eguns não fiquem ao redor do iniciado. O elemento amarrado as pernas são chamados de chaorô (Saoró) que neste caso utiliza-se um guizo preso, pois seu barulho espanta os eguns.

Para os iorubás a palavra “Egun” significa desencarnado, portanto, todo espírito que já esteve em processo de encarnação na terra, após desencarnar se torna um egun, independentemente de seu grau de elevação na espiritualidade. Já na Umbanda não nos referimos aos nossos guias espirituais como eguns, simplesmente pelo fato de não dizer que o guia é somente um desencarnado, mas sim um espírito elevado e capacitado, mas o termo a grosso modo, serve para designar todos os desencarnados.

No candomblé ele serve para afastar espíritos desencarnados da pessoa que está passando pela obrigação de iniciação. É de grande significado, pois com suas rezas e posteriormente com sua imantação através de determinados banhos, ele não permite de forma alguma que espíritos de mortos se aproximem de quem os está usando. O culto aos Orixás (Divindades) descarta o envolvimento aos espíritos desencarnados (Eguns). Em suas crenças o egun atrapalhará a força da cabeça do iniciado, ou seja, seu contato com Orixá, sendo assim, em período de obrigações espirituais ao seu Orixá, o iniciado passa por diversos procedimentos ritualísticos, um deles é o uso do contra-egun, no qual a palavra já diz por si.

Daí a pergunta que não cala, se cultuamos desencarnados (Eguns), nossos ancestrais e nossos Guias espirituais, sejam eles caboclos, crianças, pretos velhos etc. Como se usa um contra-egun que afastaria qualquer tipo de desencarnado, não seria um tanto contraditório?

A resposta é simples. Pelos nossos preceitos não é contraditório. O Orixá perante cada um de nós é a nossa ligação direta com a natureza, com o princípio, é a nossa força natural que através de nossa cabeça (Orí) nos influenciam e nos mantêm vivos, a tradução da palavra Orixá já nos dá esta resposta: “Aquele que rege nossa cabeça”. Os Orixás que compõem a tríade do coronário dos médiuns, não são Deuses personificados, assim como na visão dos cultos de Nação. São para a Umbanda as vibrações do Criador, e que nas tendas de Umbanda, quando falamos na manifestação mediúnica de Orixás, sabemos que esses são, na verdade, espíritos ancestrais que compõem a banda visível e/ou invisível de um médium. São os guias espirituais, os falangeiros que trabalharão com determinado médium em fundamento e/ou manifestação explícita, em especial nas manifestações da chamada “incorporação” (psicofonia), ou mesmo por meio da intuição e outros tantos meios de manifestação mediúnicas possíveis.

Outra questão que é necessário esclarecer, é que não utilizamos o Contra Egun em processos iniciatórios, pois não realizamos as mesmas obrigações do Candomblé. Não temos a necessidade da raspagem de cabeça (Ori), ou deitada e recolhimento em camarinha. Portanto, a primeira providência perante um novato umbandista que está adentrando uma corrente espiritual, é o manter equilibrado para que futuramente possa tranquilamente desenvolver sua mediunidade, mesmo que não seja a faculdade da incorporação mediúnica.

Portanto, o uso do Contra Egum na Umbanda serve não para deixar que influências dos desencarnados se aproximarem do Orí da pessoa, pois nossos guias são desencarnados. Porém, são usados para o afastamento de espíritos obsessores ou de baixo padrão vibratório. Utilizamos o Contra Egun ao visitar cemitérios, hospitais, e lugares de energia muito densa como presídios, sanatório etc.

Importante compreender que o Contra Egun não é um adereço étnico, mas um elemento litúrgico com fundamentos. Seu uso, seja no Candomblé, seja na Umbanda, tem finalidades muito específicas.

Se por ventura você estiver usando Contra Egun não se envergonhe, ao contrário, tenha orgulho do mesmo, pois pertence a sua religião e crenças muito antigas!

Sala de Cura

Minerais de banimento

Primeiramente se faz necessário explicar o que são os rituais de banimento: O banimento pode ser visto como uma das várias técnicas de magia, intimamente relacionada à purificação. São rituais de limpeza de ambientes, do campo áurico de pessoas ou de objetos imantados, onde são utilizados diversos elementos com a capacidade de absorção de energias densas e com poder de transmutação dessas energias. Normalmente esses rituais são executados com o objetivo de preparação do ambiente para a aplicação de magias – deixando-os livres de influência nociva presente no seu campo energético.

Como utilizar:

Existem na natureza diversos elementos que podem ser utilizados para este fim, sendo algumas ervas para defumação como os bastões de sálvia ou malva. Amuletos como pentagramas e figas confeccionados em metal e madeira. E ainda, os minerais que têm propriedades de absorção e transmutação de energia, que podem ser utilizados na confecção de guia de contas e amuletos. Aqui vamos nos ater apenas as pedras, sabemos que as guias de contas seguindo a tradição, devem ser feitas com contas de madeira, sementes ou pedras, matérias que não são isolantes energéticos.

Importante saber que qualquer objeto ritualístico após ser confeccionado deve ser consagrado antes de seu uso. Consagrar objetos e elementos é uma forma de direcionar e especificar qual será sua utilidade. Esses devem ser consagrados antes que sejam utilizados para realizar qualquer tipo de trabalho. É preciso entender nossa energia para se conectar ao cosmos e desenvolvê-la. Consagrar nesse sentido é dar direção, outra finalidade direcionando o uso, intencionando a energia impregnada no elemento ou objeto para um determinado fim magístico.

Minerais de banimento

Basalto
Rocha vulcânica (magmática) por isso rica em silicatos de magnésio e ferro. Pedra muito comum, excelente por seu magnetismo e atração das energias densas nos pontos de tensão do corpo.
Cianita Negra (Vassoura de Bruxa)
excelente cristal para limpeza energética, pois possui a propriedade de purificar a aura e eliminar todas as energias negativas do ambiente.
Hematita
É a pedra com maior poder de aterramento no planeta, ela desintegra todas as energias negativas e cria um escudo de proteção espiritual ao seu redor.
Obsidiana Negra
Ajuda a lidar com crises e pode auxiliar o ser humano na evolução por meio da meditação e do autoconhecimento. Pode ajudar a evoluir, a mexer no que está quieto, acomodado e escondido, mas não resolvido.
Olho de tigre
Utilizado para ativar os chakras básico, umbilical e solar. Importante mineral para autoconfiança, que estimula a mentalidade criativa buscado novas soluções para problemas antigos e psíquicos.
Ônix
Proporciona equilíbrio para a mente e o corpo, sendo indicada para pessoas com estresse excessivo.
Quartzo Fumê
Ele cria um forte campo de proteção contra vibrações negativas ao seu redor e é capaz de neutralizar todos ataques energéticos.
Sodalita
Cristal que promove a atividade mental tanto lógica como intuitiva. Nos auxilia a ver a verdade sobre as pessoas e situações.

Salve o Ponto

Salve todas as falanges de Exú

Refrão:
Se você está perdido em sua vida
Eles vão te ajudar
Salve toda a falange de Exú,
ena ena, é mojubá!

De joelhos hoje eu venho te agradecer, meu protetor
Por estares em minha vida, afastando de mim toda dor

Se seu nome é caveira ou calunga
Não me importa quem tu és
Pode ser Sete Covas, Meia Noite, Arranca Toco, Exú Maré

Quando giras na calunga ou na estrada
Seu feitiço tem axé
Seja ele veludo, Exú do Lodo, Tranca Rua do Embaré

Se a meia noite ele firma na encruza
No terreiro ele é doutor
Salve 7 Encruzilhadas, Pinga Fogo, Tira Teima e Marabô

Se estiveres doente, enfeitiçado
Tenha fé até o fim
Chame por 7 porteira, Exú Morcego, Capa Preta, Exú Mirim

Exú é capitão, o sentinela
Guardião ou protetor
É o dono dos caminhos, mensageiro do amor

Compositores: Marluci Teodora Ferreira, Juliana D Passos, Danilo Silva, Matheus Furtado, Nilton Dias

Na Estante

Capa do livro “Exú”, de Alan Barbieri, com o título em letras pretas dispostas na vertical sobre fundo branco envelhecido.

Exú - Fundamentos, Firmezas e Oferendas

Título
Exú - Fundamentos, Firmezas e Oferendas.
Autor
Alan Barbieri
Editora
Mariwô
Corrente
Umbanda Sagrada

Há uma enorme discrepância entre como se construiu a figura de Exú no Brasil e a sua real natureza enquanto divindade sagrada e primordial africana. Nesse sentido, de modo a sanar uma lacuna na literatura umbandista contemporânea sobre esse assunto, o conceituado sacerdote Alan Barbieri, dirigente do Templo Escola Casa de Lei, expõe, nesta obra provocativa e reveladora, todos os fundamentos de Exú para, definitivamente, ressignificar uma distorção feita desde os tempos da diáspora africana e que está presente atualmente.

Além dos conceitos indispensáveis sobre o Orixá e a Entidade, o leitor aprenderá, detalhadamente, como firmar e oferendar, de maneira correta e bem fundamentada, as falanges que se manifestam na Umbanda, para que, assim, a partir dos conhecimentos adquiridos, ele tenha autonomia e segurança para lidar com uma das forças mais poderosas e essenciais da espiritualidade.

Expediente

ECOS DE ARUANDA é um informativo sem fins lucrativos do Templo Escola Pai João de Aruanda. O conteúdo não deve ser reproduzido sem prévia autorização. Não pode ser comercializado.

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Orientação Espiritual
Pai João de Aruanda
Direção do Templo / Pesquisa
José Adilson Dantas
Pesquisa / Revisão
Dilene Nunes
Jornalista Responsável / Projeto Gráfico
Gleison Cardozo - DRT DF-8266

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